Mundo
05/11/2008 - 03h06

Analistas russos prevêem aproximação com os EUA

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BENOIT FINCK
da France Presse, em Moscou

O triunfo do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais americanas oferece uma "oportunidade para renovar" as relações entre a Rússia e os Estados Unidos, que, sob a Presidência de George W. Bush, fizeram recordar os tempos de Guerra Fria.

"Isso mostra que os Estados Unidos são capazes de uma renovação que também será positiva para as relações russo-americanas", afirmou à France Presse Fiodor Lukianov, redator-chefe do bimestral "Rússia na Política Mundial".

"Poderemos fingir que partimos do zero", acrescentou o analista, que prevê "um respiro em todo o mundo".

As relações entre Moscou e Washington registraram uma aproximação com os atentados de 11 de setembro de 2001, mas se deterioraram com: a extensão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) até as fronteiras da Rússia, o projeto do escudo antimísseis americano no Leste Europeu e a guerra entre Geórgia e Rússia em agosto.

O cientista político Serguei Markov espera que Barack Obama cumpra suas promessas de campanha e renuncia à "política catastrófica" de seu predecessor republicano.

"Fim da unilateralidade"

"Estamos contentes que renuncie à unilateralidade, que não queira bombardear Irã, e que queira impedir uma escalada armamentista na região", afirmou Markov, também deputado pelo partido Rússia Unida, do premiê, Vladimir Putin.

Durante a campanha, Obama se mostrou mais moderado frente à Rússia que seu desafortunado rival republicano John McCain, por vezes muito agressivo em relação à Rússia.

McCain reprova os dirigentes russos que querem "restaurar o antigo Império Russo" e em várias ocasiões reclamou a exclusão da Rússia do G8, clube das oito potências mundiais.

No entanto, Lukianov admite que "ninguém sabe qual será a política de Obama" à medida em que até agora só "falou de linhas gerais".

"Sabe gostar de gente, mas isso não alcança", agregou Markov.

O novo presidente americano se verá "inevitavelmente obrigado a levar adiante uma política mais realista" que a de Bush, disse Lukianov, que estima ser possível conseguir "avanços" na questão do escudo antimísseis, ao qual Moscou se opõe energicamente.

Geórgia e Otan

Markov não vê com bons olhos o apoio de Obama ao projeto de adesão da Geórgia e da Ucrânia --dois ex-repúblicas soviéticas-- à Otan. Moscou se irrita com a perspectiva de ser cercada pela Otan, que continua vendo a aliança como o inimigo número um na consciência coletiva do país.

Lukianov compartilha da opinião pois entende que a ampliação da Otan continuará e que Obama tem a mesma opinião que Bush a respeito.

Porém, em linhas gerais, a "política agressiva da guerra pela democracia" dos anos Bush fez desaparecer "a ilusão" de que os democratas se ocupavam demais dos direitos humanos, e os republicanos eram mais pragmáticos, sobretudo em relação a Moscou.

Para o diretor do Instituto de Avaliações Políticas, Alexandre Konovalov, pouco importa que a vitória tenha sido de Obama pois as circunstâncias "são mais importantes que os candidatos".

O novo presidente, que assumirá suas funções em janeiro, se encontrará com as relações russo-americanas "deterioradas", situação que "não se resolve "no Iraque e no Afeganistão e o "problema" norte-coreano, enumera Konovalov.

Além do mais, a crise econômica e financeira mundial "não faz mais que começar", destacou. "Os EUA têm tantos problemas nesse momento que qualquer presidente se verá impelido no sentido da cooperação com os outros países", afirmou o analista.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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