Mundo
05/11/2008 - 04h16

Obama compara vitória à chegada à Lua e à queda do Muro de Berlim

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da Folha Online

Atualizado às 07h42.

O democrata Barack Obama foi eleito no começo da madrugada desta quarta-feira o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e o 44º da história do país.

"Se pessoas ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta", afirmou Obama em seu discurso de vitória, a milhares de partidários, em Chicago, Illinois --Estado pelo qual Obama é senador.

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Obama usou a história de uma americana de 106 anos para dizer que ela assistiu episódios de mudança como a chegada do homem à Lua e a queda do Muro de Berlim, e que, nesta eleição, "tocou uma tela com seu dedo e registrou seu voto porque, depois de 106 anos na América, ela sabe que a América pode mudar".

Morry Gash/AP

Nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, Barack Hussein Obama é senador por Illinois em seu primeiro mandato. Ele era, portanto, um rosto pouco conhecido no cenário nacional antes de ganhar a candidatura nas acirradas primárias do Partido Democrata contra a senadora Hillary Clinton --tida, inicialmente, como grande favorita na disputa.

Interrompido por aplausos e gritos da multidão, Obama disse nesta quarta que o processo eleitoral foi uma "espera foi longa, mas merecida" e que "agora vamos mudar". "Nós vamos reconstruir a América, com mão calejada, tijolo por tijolo, para refazer o nosso país", afirmou Obama que ainda ressaltou o "patriotismo dos americanos" e alertou "o cuidado para que não recaiamos na imaturidade que envenenou a nossa economia".

Mesmo tendo registrado recordes de arrecadação, o democrata negou ter realizado uma campanha milionária e disse que a conquista "não nasceu na sala de Washington, mas com homens e mulheres, jovens e trabalhadores que enfrentaram o frio para bater de porta em porta na casa dos eleitores para pedir votos".

No discurso, Obama confirmou ter recebido um telefone do adversário, o republicano John McCain, reconhecendo a derrota. Ele ainda agradeceu a mulher, Michelle, toda a dedicação dada durante a campanha. "Eu não estaria aqui se não fosse pela rocha da minha família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama dessa nação, Michelle."

Obama lembrou também a avó materna, que morreu ontem no Havaí, de câncer, e disse que sente muita falta dela e de sua família.

"E, embora ela não esteja mais entre nós, eu sei que minha avó está assistindo, ao lado da família que construiu quem eu sou. Eu sei que minha dívida com eles está além de qualquer medida.

Campanha

Obama entrou na corrida contra McCain como preterido. Seu slogan "Mudança na qual podemos acreditar", porém, logo passou a ser parafraseado pelo republicano. Depois do agravamento da crise financeira mundial, o democrata consolidou vantagem sobre McCain nas pesquisas de intenção de voto nacionais.

O ponto de virada foi a quebra do tradicional banco Lehman Brothers, em setembro passado. "Nenhum dos dois [presidenciáveis] realmente apresentou uma solução real para a crise em curto prazo, mas Obama foi quem mostrou melhor aos eleitores que era capaz de retomar o crescimento da economia americana", disse Donald Kettl, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia.

Obama se beneficiou ainda do erro do rival que, meses antes da crise financeira abalar a economia mundial, admitiu que a economia não era seu ponto forte.

Recordes

Foi com o uso em parâmetros inéditos da internet que a campanha de Obama conseguiu obter recorde de arrecadação.

"Obama buscou novas fontes e formas de financiamento. Ele aliou os tradicionais grandes doadores com as vantagens e inovações da internet", disse Marie Gottschalk, professora de ciência política da Universidade da Pensilvânia e especialista em campanhas políticas, em entrevista à Folha Online, por telefone.

O segredo do sucesso do senador, aponta Gottschalk, foi criar um entusiasmo inédito entre os jovens que se mobilizaram não só para votar, mas para arrecadar doações e incentivar mais pessoas a participarem do processo político. Na internet, Obama montou 700 centros de jovens pró-Obama e, no Facebook, site de relacionamentos, tem dois milhões de "amigos" contra 500 mil de McCain.

No discurso de vitória, Obama agradeceu "aos jovens que rejeitaram o mito de apatia de sua geração".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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