Mundo
05/11/2008 - 06h57

Em baixa, Bush sai do governo e deixa legado de problemas a Obama

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da Efe, em Washington
da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, 62, que iniciou seu mandato sob a sombra dos atentados de 11 de Setembro e deixa o governo sob o peso de uma grave crise econômica, encerra seu período como chefe da Casa Branca na condição de um dos líderes mais impopulares da história.

Eric Draper/AP
Presidente republicano George W. Bush ligou para o democrata Barack Obama para parabenizá-lo pela vitória nas eleições
Presidente republicano George W. Bush ligou para o democrata Barack Obama para parabenizá-lo pela vitória nas eleições

Bush, que deixará oficialmente o cargo em 20 de janeiro, será substituído pelo democrata Barack Obama, 47, que herdará vários problemas pendentes de resolução, como a crise econômica e a situação conflituosa no Iraque e no Afeganistão.

A vitória incontestável de Obama nas eleições presidenciais desta terça-feira é o principal sinal do fracasso de Bush na administração do Estado mais poderoso do mundo.

Os oito anos de sua administração foram apontados como um dos principais complicadores da campanha do também republicano John McCain, 72, na briga pela Casa Branca.

De acordo com Gary Jacobson, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, "a principal razão da derrota de McCain é George W. Bush".

Atualmente, 72% dos americanos estão insatisfeitos com o governo Bush, o maior nível de rejeição a um governante desde que a popularidade dos presidentes começou a ser medida, na década de 1930.

McCain fugiu de qualquer ato conjunto com o presidente, mas Obama vinculou de forma incessante a imagem de seu rival à de Bush.

O caso mais grave a ser resolvido após o fim da administração atual, sem dúvida, será a crise econômica, que condicionará o comportamento de Obama --ao menos em seus dois primeiros anos de governo.

Morry Gash/AP
Presidente eleito dos EUA, Barack Obama (à esq.), ao lado de seu vice, Joe Biden, após discurso da vitória
Presidente eleito dos EUA, Barack Obama (à esq.), ao lado de seu vice, Joe Biden, após discurso da vitória

Bush fez inúmeros discursos públicos sobre o desempenho da economia, mas sua grande impopularidade impediu que tais declarações tranqüilizassem o eleitorado.

A economia não será a única decisão difícil a esperar por Obama em seus primeiros meses no poder.

Ainda não está fechado o acordo com o governo iraquiano sobre o futuro das tropas americanas na região. Muitos avaliam que essa presença seria oficializada para os próximos três anos.

A Casa Branca afirma que tais negociações avançam com fluência, e Bush, que deixará no conflito no Iraque seu legado como presidente, espera poder completar o pacto antes do término de seu mandato.

Mas corresponderá a Obama determinar quando e como esses soldados, atualmente cerca de 140 mil, voltarão para casa. O democrata é partidário de uma retirada gradual ao longo de um ano e meio.

Outro problema que Bush deixará a seu sucessor é a situação envolvendo o Afeganistão, onde enfrenta o Taleban --milícia radical que retomou suas atividades no país e faz frente às tropas da aliança militar ocidental conduzida pelos EUA-- e a rede terrorista Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden --mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 e por quem os EUA oferecem US$ 25 milhões pela captura.

Obama já se mostrou partidário de uma intervenção no Paquistão, onde há terroristas da Al Qaeda, caso seja necessário.

Outro saldo que Bush se comprometeu a resolver antes de deixar a Casa Branca é a obtenção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, algo que parece cada vez mais improvável.

A renúncia do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, devido a um escândalo de corrupção, estagnou ainda mais as conversas de paz que, neste ano, obtiveram progressos pífios.

É possível que Bush também não consiga resolver nos dois meses e meio de mandato que lhe restam a aprovação no Congresso dos tratados de livre-comércio pendentes com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul.

Mas, no longo prazo, a maior tarefa que o presidente americano deixará a Obama será a de restabelecer o prestígio dos EUA no exterior --muito influenciado por causa do conflito no Iraque-- e a esperança do eleitorado.

Recuperar o otimismo entre os americanos será uma tarefa difícil. Obama, no entanto, terá algo a seu favor para conquistar o objetivo: não carrega a sombra Bush.

 

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