Mundo
05/11/2008 - 07h56

Obama se torna primeiro presidente negro dos EUA com recorde de eleitores dos últimos cem anos

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colaboração para a Folha Online

O democrata Barack Obama teve uma vitória histórica nesta terça-feira ao chegar à Casa Branca como primeiro presidente negro depois de uma votação que teve comparecimento recorde de americanos às urnas.

Eleição redesenhou mapa eleitoral americano
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Leia análise sobre a vitória de Obama

Quase 66% dos 153,1 milhões eleitores registrados para as eleições presidenciais americanas enfrentaram longas filas e problemas nas urnas para votar nas eleições gerais, de acordo com o site Real Clear Politics, o que significaria a maior taxa de participação desde 1908.

John Gress/Reuters
U.S. President-elect Senator Barack Obama (D-IL) waves to supporters after being declared the winner of the 2008 U.S. Presidential Campaign in Chicago November 4, 2008.REUTERS/John Gress (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Democrata Barack Obama cumprimenta seus eleitores depois de ser declarado o 44º presidente dos EUA

A organização das eleições é uma atribuição de cada Estado e um número definitivo da participação só costuma ser divulgado após os resultados finais. Contudo, o interesse já supera as eleições passadas, em 2004, quando o número de registrados era de 135 milhões e compareceram às urnas pouco mais de 80 milhões.

Em seu discurso de vitória, Obama foi aplaudido por uma multidão que esperava desde a manhã desta terça-feira para entrar no Grant Park. Ele prometeu trazer a mudança para Washington, tema que marcou sua campanha desde a disputa das primárias.

"Foi uma longa campanha, mas, nesta noite, por causa do que nós fizemos neste dia, neste momento definidor, a mudança chegou à América", disse Obama, 47, a mais de 200 mil apoiadores extasiados pela vitória.

Nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, Barack Hussein Obama é senador por Illinois em seu primeiro mandato. Ele passou a juventude na ilha americana, onde se destacou pelo serviço comunitário. Com um bom histórico escolar, Obama formou-se em direito na tradicional Universidade Harvard e trabalhou como professor e defensor dos direitos civis em Chicago, antes de ser eleito senador.

Leia o perfil completo de Barack Obama

Obama era um rosto pouco conhecido no cenário nacional até vencer as acirradas primárias democratas contra Hillary Clinton --tida como grande favorita na disputa presidencial. A experiência da disputa com a ex-primeira-dama fortaleceu sua estratégia de campanha e a mostrou que a promessa de mudança em tempos de insatisfação política funcionava.

Com o slogan "Mudança na qual podemos acreditar", Obama entrou como preferido na disputa presidencial contra o veterano republicano McCain. O resultado confirma a vantagem consolidada nas pesquisas após o estouro da crise financeira norte-americana que assola as Bolsas de todo o mundo.

"A estrada a frente será longa. Nossa subida será cautelosa. Nós podemos não conseguir chegar lá em um ano ou mesmo em um mandato, mas América, eu nunca estive tão esperançoso do que hoje de que chegaremos lá", afirmou o democrata no discurso, sob o peso de assumir a Presidência em tempos da mais grave crise financeira depois da Grande Depressão dos anos 30.

Esmagadora

E o comparecimento recorde de americanos, que se mostraram dispostos a enfrentar longas filas e problemas nas urnas, deu a Obama uma vitória arrasadora, como não se via nos EUA desde 1996, com a reeleição do popular e também democrata Bill Clinton.

O democrata necessitava de 270 votos no colégio eleitoral para ganhar as eleições presidenciais, uma marca que superou por ampla margem, ao obter no total ao menos 342 votos, frente a 143 de seu adversário, o republicano John McCain, em um pleito histórico para os EUA. Clinton derrotou o republicano Bob Dole com 379 votos no colégio eleitoral frente a 159 de seu rival.

No sistema eleitoral indireto dos americanos, a votação popular deve ser confirmada pelos representantes do colégio eleitoral --538 divididos pelos Estados de acordo com sua população. Estes representantes, chamados de eleitores, podem ou não confirmar o voto dos eleitores populares.

Assim, Obama entra para a história presidencial americana ao lado Ronald Reagan (1981-1989) e com Franklin D. Roosevelt (1933-1945), como um dos poucos presidentes a conseguir um "landslide", um termo que significa algo como "ganhar por goleada".

Vitória

A vitória de Obama, como previsto, veio principalmente nos Estados das duas costas americanas, onde os democratas costumam ter melhor desempenho. Contudo, com uma estratégia de conquistar os 50 Estados, ele tirou alguns Estados do republicano John McCain.

Na projeção das urnas, até o momento, Obama ganhou 26 Estados e o Distrito de Columbia e deve garantir 338 votos do colégio eleitoral, muito além dos 270 necessários para chegar à Casa Branca.

Acompanhe o resultado Estado por Estado

Nos Estados Unidos, como a votação é indireta, a vitória democrata nas urnas desta terça-feira deve ser confirmada pelos representantes dos colégios eleitorais estaduais --cujo número é proporcional à população do Estado-- e que, tradicionalmente, ratificam o voto popular. Entenda o processo eleitoral americano

"Se pessoas ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta", afirmou Obama, que nesta terça-feira confirmou um resultado considerado impossível há poucos anos atrás.

Interrompido por aplausos e gritos da multidão, Obama disse nesta quarta que o processo eleitoral foi uma "espera foi longa, mas merecida" e que "agora vamos mudar".

Obama assume assim como um dos presidentes mais populares do país. A participação na eleição que o colocou na Casa Branca só pode ser comparada na história recente aos 63,1% de 1960, quando John Kennedy (1917-1963) chegou ao poder.

"Nós vamos reconstruir a América, com mão calejada, tijolo por tijolo, para refazer o nosso país", afirmou Obama que ainda ressaltou o "patriotismo dos americanos" e alertou "o cuidado para que não recaiamos na imaturidade que envenenou a nossa economia".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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