Mundo
05/11/2008 - 10h33

Obama é primeiro presidente negro dos EUA em votação que mudou mapa eleitoral

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colaboração para a Folha Online

O democrata Barack Obama afirmou na noite desta terça-feira que nos Estados Unidos tudo é possível. O discurso foi apropriado à sua vitória como o primeiro presidente negro do país eleito em uma votação de participação recorde e que mudou o tradicional mapa eleitoral americano --como a Virgínia, que não votava em um democrata nos últimos 40 anos.

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Obama, que ressaltou em seu discurso que os EUA podem mudar sua história, criou um novo capítulo na política americana com uma vitória esmagadora, marcada pela participação de quase 66% dos 153,1 milhões eleitores registrados para as eleições presidenciais deste ano.

Morry Gash/AP
President-elect Barack Obama waves after giving his acceptance speech at Grant Park in Chicago Tuesday night, Nov. 4, 2008. (AP Photo/Morry Gash)
Democrata Barack Obama cumprimenta eleitores em discurso da vitória no Grant Park

Segundo as estimativas do site Real Clear Politics, isso significa a maior taxa de participação desde 1908, quando restrições impediam alguns americanos de votar. A porcentagem bateria também o recorde histórico recente, de 1960, quando 64,9% do eleitorado foi às urnas na disputa entre John Kennedy e Richard Nixon. Nas eleições de 2004, o número de registrados era de 142,1 milhões, das quais 63,8% compareceram às urnas.

"Foi uma longa campanha, mas, nesta noite, por causa do que nós fizemos neste dia, neste momento definidor, a mudança chegou à América", disse Obama, 47, a mais de 200 mil apoiadores que acompanharam sua festa da vitória no Grant Park, em Chicago.

Leia a íntegra do discurso de Obama

E o comparecimento recorde de americanos, que se mostraram dispostos a enfrentar longas filas e problemas nas urnas, deu a Obama uma vitória arrasadora, como não se via nos EUA desde 1996, com a reeleição do popular e também democrata Bill Clinton.

O democrata necessitava de 270 votos no colégio eleitoral para ganhar as eleições presidenciais, uma marca que superou por ampla margem, ao obter no total ao menos 342 votos, frente a 143 de seu adversário, o republicano John McCain, em um pleito histórico para os EUA. Clinton derrotou o republicano Bob Dole com 379 votos no colégio eleitoral frente a 159 de seu rival.

No sistema eleitoral indireto dos americanos, a votação popular deve ser confirmada pelos representantes do colégio eleitoral --538 divididos pelos Estados de acordo com sua população. Estes representantes, chamados de eleitores, podem ou não confirmar o voto dos eleitores populares.

Assim, Obama entra para a história presidencial americana ao lado Ronald Reagan (1981-1989) e com Franklin D. Roosevelt (1933-1945), como um dos poucos presidentes a conseguir um "landslide", um termo que significa algo como "ganhar por goleada".

Mapa eleitoral

Jae C. Hong/AP
President-elect Barack Obama, left, and Vice President-elect Joe Biden celebrate after Obama's acceptance speech at the election night rally in Chicago, Tuesday, Nov. 4, 2008. (AP Photo/Jae C. Hong)
Barack Obama (esq.) celebra vitória ao lado do seu vice, Joe Biden

O comparecimento recorde de eleitores permitiu a Obama redesenhar o mapa eleitoral dos EUA. Com uma estratégia de manter a disputa em todos os 50 Estados, a campanha democrata ignorou os tradicionais redutos republicanos e investiu seus mais de US$ 600 milhões arrecadados em uma intensa agenda de comícios e propagandas em todo o país.

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Sua principal conquista desta noite foi a Virgínia, Estado onde os republicanos ganharam todas as disputas nos últimos 40 anos e que era vista por analistas como a prova definitiva da vitória democrata nas urnas desta terça-feira. Na eleição passada, o republicano George W. Bush venceu o democrata John Kerry por uma margem de nove pontos percentuais.

A vitória de Obama no Estado não foi esmagadora, 51,8% a 47,3%, mas provou a maior eficiência da campanha democrata e o entusiasmo gerado nos jovens eleitores de todo o país.

Mas os primeiros sinais concretos da derrota do republicano McCain vieram com a vitória de Obama na Pensilvânia, Estado com maioria branca de eleitores --um grupo que favoreceu o republicano nas pesquisas durante toda a campanha. No final, o senador democrata levou 54,6% das intenções de voto contra 44,3%.

Obama ganhou ainda em Ohio, Estado sem o qual nenhum republicano foi eleito presidente em toda a história do país. Considerado indefinido na média de sondagens do instituto Real Clear Politics na véspera da eleição, acabou elegendo o democrata que tem 51,2% contra 47,2% de McCain, com 965 das urnas apuradas.

A vitória de Obama no Estado foi impulsionada pelo seu apoio entre os operários e pela imagem de candidato mais capaz a resolver a crise financeira nos EUA --motivo aliás apontada como central à sua vitória nacional.

O democrata deve vencer também, embora somente 87% das urnas tenham sido apuradas, no Colorado. O Estado, que apoiou o republicano Bush por cinco pontos percentuais, é um dos mais representativos do meio-oeste americano, região histórica de grandes redutos republicanos.

Maioria

Obama assume a Casa Branca em 20 de janeiro fortalecido não apenas pela vitória esmagadora, mas pelo controle dos democratas no Congresso.

Como previsto pelas pesquisas, o partido teve uma vitória relativamente tranqüila sobre o Partido Republicano na votação para a renovação da Câmara dos Deputados e para as 35 cadeiras do Senado.

Os democratas levaram pelo menos cinco novos senadores que antes eram ocupadas por republicanos, aumentando a maioria do partido na casa para 54 contra 40 republicanos. Na Câmara, eles já ultrapassaram a maioria de 235 cadeiras que já ocupavam, enquanto as projeções continuam sendo realizadas.

Os analistas são unânimes em apontar o fortalecimento do governo de Obama diante de uma maioria que, até mesmo pelo bem da imagem do partido, deve aprovar facilmente as medidas que o novo presidente lançar.

"Se pessoas ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta", resumiu Obama.

Comentários dos leitores
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 1 opinião
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Marcello Sokal (59) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (59) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
11 opiniões
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Denis Rossanez (5) 03/02/2009 13h35
Denis Rossanez (5) 03/02/2009 13h35
Como diz Alex Lima.
Com certeza o Bresil esta carente de homens como Barack Obama na política e parar de se importar com sua opnião, mas da população em geral e aplicar medidas realmente eficazes para melhorar o país.
9 opiniões
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