Mundo
05/11/2008 - 13h15

Obama é o primeiro presidente negro dos EUA; número recorde muda mapa eleitoral

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colaboração para a Folha Online

O democrata Barack Obama marcou um novo capítulo na história política americana ao ser eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, um país ainda marcado pelas lembranças do segregacionismo. A vitória foi ainda mais importante por ter sido resultado de uma votação com comparecimento recorde de eleitores que mudaram o mapa eleitoral americano em favor do democrata.

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Obama soube usar campanha virtual em seu favor; assista
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"O que vemos hoje é um passo enorme na história política americana. Mostra que superamos uma barreira que, há dez anos, parecia intransponível", disse Thomas Brunell, professor de ciência política da Universidade do Texas.

Jim Bourg/Reuters
U.S. President-elect Sen. Barack Obama (D-IL) acknowledges supporters during his election night victory rally in Chicago, November 4, 2008. REUTERS/Jim Bourg (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Presidente eleito Barack Obama comemora a vitória esmagadora em parque de Chicago, diante de 200 mil

Obama, que ressaltou em seu discurso que os EUA podem mudar sua história, teve uma vitória esmagadora sobre o republicano John McCain, marcada pela participação de quase 66% dos 153,1 milhões eleitores registrados para as eleições presidenciais deste ano.

Segundo as estimativas do site Real Clear Politics, isso significa a maior taxa de participação desde 1908, quando restrições impediam todos os americanos de votar. A porcentagem bateria também o recorde histórico recente, de 1960, quando 64,9% do eleitorado foi às urnas na disputa entre John Kennedy e Richard Nixon. Nas eleições de 2004, o número de registrados era de 142,1 milhões, das quais 63,8% compareceram às urnas.

"Foi uma longa campanha, mas, nesta noite, por causa do que nós fizemos neste dia, neste momento definidor, a mudança chegou à América", disse Obama, 47, a mais de 200 mil apoiadores que acompanharam sua festa da vitória no Grant Park, em Chicago.

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Recorde

E o comparecimento recorde de americanos, que se mostraram dispostos a enfrentar longas filas e problemas nas urnas, deu a Obama uma vitória arrasadora, como não se via nos EUA desde 1996, com a reeleição do popular e também democrata Bill Clinton.

O democrata necessitava de 270 votos no colégio eleitoral para ganhar as eleições presidenciais, uma marca que superou por ampla margem, ao obter no total ao menos 342 votos, frente a 143 de seu adversário, o republicano John McCain, em um pleito histórico para os EUA. Clinton derrotou o republicano Bob Dole com 379 votos no colégio eleitoral frente a 159 de seu rival.

No sistema eleitoral indireto dos americanos, a votação popular deve ser confirmada pelos representantes do colégio eleitoral --538 divididos pelos Estados de acordo com sua população. Estes representantes, chamados de eleitores, podem ou não confirmar o voto dos eleitores populares.

Mapa eleitoral

O comparecimento recorde de eleitores permitiu a Obama redesenhar o mapa eleitoral dos EUA. Com uma estratégia de manter a disputa em todos os 50 Estados, a campanha democrata ignorou os tradicionais redutos republicanos e investiu seus mais de US$ 600 milhões arrecadados em uma intensa agenda de comícios e propagandas em todo o país.

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Sua principal conquista desta noite foi a Virgínia, Estado onde os republicanos ganharam todas as disputas nos últimos 40 anos e que era vista por analistas como a prova definitiva da vitória democrata nas urnas desta terça-feira. Na eleição passada, o republicano George W. Bush venceu o democrata John Kerry por uma margem de nove pontos percentuais.

A vitória de Obama no Estado não foi esmagadora, 51,8% a 47,3%, mas provou a maior eficiência da campanha democrata e o entusiasmo gerado nos jovens eleitores de todo o país.

Mas os primeiros sinais concretos da derrota do republicano McCain vieram com a vitória de Obama na Pensilvânia, Estado com maioria branca de eleitores --um grupo que favoreceu o republicano nas pesquisas durante toda a campanha. No final, o senador democrata levou 54,6% das intenções de voto contra 44,3%.

Obama ganhou ainda em Ohio, Estado sem o qual nenhum republicano foi eleito presidente em toda a história do país. Considerado indefinido na média de sondagens do instituto Real Clear Politics na véspera da eleição, acabou elegendo o democrata que tem 51,2% contra 47,2% de McCain, com 965 das urnas apuradas.

A vitória de Obama no Estado foi impulsionada pelo seu apoio entre os operários e pela imagem de candidato mais capaz a resolver a crise financeira nos EUA --motivo aliás apontada como central à sua vitória nacional.

Maioria

Obama assume a Casa Branca em 20 de janeiro fortalecido não apenas pela vitória esmagadora, mas pelo controle dos democratas no Congresso.

Como previsto pelas pesquisas, o partido teve uma vitória relativamente tranqüila sobre o Partido Republicano na votação para a renovação da Câmara dos Deputados e para as 35 cadeiras do Senado.

Os democratas levaram pelo menos cinco novos senadores que antes eram ocupadas por republicanos, aumentando a maioria do partido na casa para 54 contra 40 republicanos. Na Câmara, eles já ultrapassaram a maioria de 235 cadeiras que já ocupavam, enquanto as projeções continuam sendo realizadas.

Os analistas são unânimes em apontar o fortalecimento do governo de Obama diante de uma maioria que, até mesmo pelo bem da imagem do partido, deve aprovar facilmente as medidas que o novo presidente lançar.

"Se pessoas ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta", resumiu Obama.

 

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