Mundo
05/11/2008 - 16h58

América Latina espera estreitar laços com EUA após vitória de Obama

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da France Presse, em Caracas

A vitória do democrata Barack Obama leva à America Latina a expectativa do fim do unilateralismo que predominou nos oito anos de governo do presidente George W. Bush. Lideranças esperam um relacionamento mais próximo com os EUA para reverter o sentimento de anti-americanismo que cresceu na região.

Como candidato, Obama mostrou interesse em rever as relações com os países latino-americanos, começando pela Venezuela, governada por Hugo Chávez. "Estou disposto a conversar com Obama, em condição de igualdade e respeito, já que entramos em outra etapa", afirmou Chávez na semana passada.

Gary Hershorn/Reuters/4.nov.2006
Governantes acreditam que vitória de Barack Obama pode aproximar EUA da América Latina
Governantes acreditam que vitória de Barack Obama pode aproximar EUA da América Latina

Há cerca de dois meses, o presidente venezuelano expulsou o embaixador dos Estados Unidos de Caracas. "Não pedimos que ele seja revolucionário, que ele seja um socialista, somente que se coloque à altura de sua história", afirmou Chávez.

Diante do cenário de crise em relação à Venezuela e Bolívia, hostilidade no Equador e Nicarágua e indiferença em Cuba, Bush deixa o governo dos EUA com outros problemas na América Latina. Entre eles, o crescimento de alianças de governos da região com Irã e China nas áreas energética e militar.

Segundo o professor de Economia Internacional da Universidade John F. Kennedy, na Argentina, Pablo Kornblum, Obama terá mais habilidade para estreitar as relações com o restante do continente. "Com seu olhar mais progressista e conciliador, Obama tentará fazer acordos econômicos e melhorar as relações diplomáticas", afirmou.

A América Latina que Obama encontrará está em processo de mudança, com a integração comercial através do Mercosul em negociação. "Os tempos de intervenção e agressão dos Estados Unidos passaram", explica Omar Galíndez, professor da Escola de Altos Estudos Diplomáticos Pedro Gual, na Venezuela.

Mudanças

Para Cuba, a vitória de Obama poderia significar a suavização do embargo econômico imposto pelos EUA ao governo do país, segundo o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pirez Roque. "O bloqueio é mais velho que Barack Obama. Ele deverá decidir entre admitir que é uma política fracassada ou se persiste, com obsessão e crueldade, em tentar render o povo cubano com fome e doenças", afirmou.

Na Bolívia de Evo Morales, que estabeleceu relações com o Irã e expulsou recentemente o embaixador americano dos EUA do país, a expectativa é positiva. "Uma flexibilização e mudança se abrem com Obama", diz o analista político, Carlos Cordero.

Na mesma linha, o presidente equatoriano Rafael Correa admitiu que Obama está sendo uma surpresa e que seu discurso é mais próximo das posições de seu país. Já na Argentina, a presidente Cristina Kirchner destacou a "personalidade de Obama, seu discurso e a forma de enfocar as coisas".

O Brasil, no entanto, se afastou um pouco da unanimidade entre os países e, ainda que mostre simpatia por Obama, admitiu que um governo de John McCain implicaria em mais benefícios econômicos. Entre as propostas do republicano, estavam a redução de impostos para a exportação de etanol, combustível derivado da cana-de-açúcar, produzido pelo Brasil.

Na Colômbia, país aliado de Washington, autoridades se mostraram primeiramente a favor de McCain. Mas, nas últimas semanas, o governo destacou que tem boas expectativas em relação a um governo de Obama.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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