Obama compensa inexperiência com equipe de veteranos para transição
colaboração para a Folha Online
O presidente eleito Barack Obama passou os últimos dois dias em reuniões com seus principais assessores e conselheiros para definir a sua equipe de transição. E as expectativas são de que o novato senador por Illinois, criticado pela sua inexperiência durante a campanha, traga veteranos da Casa Branca para ajudá-lo a enfrentar a crise financeira e os conflitos no Iraque e Afeganistão.
Os candidatos presidenciais costumam escolher com antecedência uma equipe de transição entre governos, mesmo antes de serem eleitos. As dez semanas que normalmente separam a eleição da posse na Casa Branca não são tempo suficiente para definir um time.
Nesta quarta-feira (5), depois de fazer ginástica em sua casa, em Chicago, Obama cumpriu agenda repleta de encontros em um prédio de escritórios para discutir a equipe de transição. No escritório central de sua campanha, também em Chicago, os assessores começaram a tirar os pôsteres das paredes. Seu site de campanha ainda está no ar, mas ninguém mais atende o telefone.
| Jason Reed/Reuters |
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| Presidente eleito Barack Obama sai de dia de reuniões com sua equipe para definir equipe |
É o sinal de que a equipe de campanha que o propulsou de um rosto relativamente desconhecido do Senado ao primeiro presidente negro do país já não existe mais e atenções estão voltadas para a formação de um novo governo.
Os principais nomes devem vir da equipe do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), conhecidos pelo profundo entendimento da política de Washington. Nenhum deles é considerado um praticante da "nova política" sob a qual Obama construiu sua plataforma política, de unir republicanos e democratas em um governo conciliador. Isso pode apontar, afirma o jornal americano "The New York Times", que Obama está disposto a mostrar uma estratégia de política firme, desde o início.
Obama vai precisar deste apoio já que herda do presidente George W. Bush não apenas a Casa Branca, mas uma economia enfraquecida e conflitos militares que custam milhões ao orçamento em grave déficit. O democrata toma posse apenas em 20 de janeiro, mas hoje mesmo recebe seu primeiro relatório da CIA (agência de inteligência americana) e tem pouco mais de uma semana até a reunião convocada por George W. Bush, em 15 de novembro, para decidir o que fazer diante da crise global.
O senador democrata tem ainda um desafio a mais. Provar que as duras críticas dos rivais democratas e republicanos estão erradas e que ele está efetivamente pronto para governar. "Não se pode ignorar que o currículo de Obama é curto para ser de um ocupante do posto mais alto do mundo", afirmou recentemente um editorial da revista britânica "The Economist", que, mesmo assim, endossou a candidatura do democrata.
Ainda na campanha pelas primárias, a senadora por Nova York e ex-primeira-dama Hillary Clinton não cansava de repetir que Obama não tinha experiência em dirigir nada. Na campanha contra o republicano John McCain, senador há mais de 20 anos, o argumento surgiu ainda com mais força, assim como os questionamentos sobre o que ele seria capaz de fazer assim que assumisse a Casa Branca.
E para não cometer erros, Obama conta com uma equipe de veteranos para ajudá-lo a escolher os principais nomes de seu governo. Além do vice, Joe Biden, senador veterano por Delaware, o democrata está sendo aconselhado por John Podesta, chefe de gabinete do governo Bill Clinton (1993 2000) e Valerie Jarrett, advogada, conselheira de campanha e amiga pessoal e Pete Rouse, ex-chefe de equipe de Obama no Senado.
Conheça os líderes da equipe de transição de Obama
Em comunicado enviado por e-mail no final da tarde desta quarta-feira, Obama anunciou a criação da equipe de transição e determinou que ela fará "análises detalhadas de transições anteriores, relatórios de medidas adotadas na campanha; estudos de agências do governo federal"; e estabelecimento das "questões prioritárias" da nova administração.
Bipartidário
Por enquanto, as expectativas são altas sobre o nome de seu chefe de gabinete. Obama convidou o deputado democrata Rahm Emanuel, um dos principais assessores de Clinton e figura central na estratégia do partido de conquistar a maioria na Câmara dos Deputados em 2006.
| Matthew Cavanaugh/Efe |
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| Rahm Emanuel é o principal nome para a chefia do gabinete |
Emanuel foi eleito deputado em 2002 e é o quarto na linha de liderança do Partido. Ele trabalhou também na primeira campanha presidencial de Clinton e serviu como seu conselheiro. É uma aposta segura para aconselhá-lo nas burocracias envolvidas no cargo de presidente e também um forte aliado dentro da Câmara para a aprovação de seus projetos.
Obama pensa também, afirma reportagem da rede de televisão CNN, em dois republicanos: os senadores Chuck Hagel --que foi com ele em sua viagem pelo Iraque e Afeganistão durante a campanha-- e Dick Lugar.
Hagel, republicano de Nebraska, é veterano de Guerra do Vietnã (1959 a 1975) (assim como o ex-rival de Obama, John McCain) e um grande crítico do governo Bush.
Lugar, de Indiana, é líder da minoria do partido no Comitê de Relações Exteriores e trabalhou com Obama no ano passado para expandir o programa para acabar com as armas de destruição em massa da ex-União Soviética.
As fontes consultadas pela rede apontam também Robert Gates, secretário de Defesa de Bush, para seu time de segurança nacional. Ele trabalhou para a CIA por 27 anos, servindo como diretor entre 1991 e 1993. Foi também vice-conselheiro de segurança nacional do governo do pai de Bush, George H. W. Bush.
Embora chamar veteranos republicanos seja a maior demonstração de que está disposto a um esforço bipartidário para sanar a crise econômica e levar a guerra contra o terror a um novo nível, a escolha destes nomes pode indicar que Obama, árduo crítico das políticas "falidas" de Bush, governará como ele na área de segurança nacional.
Levanta dúvidas também se ele manterá uma das principais promessas de sua campanha, levar as tropas americanas no Iraque de volta para casa em até 16 meses. Outro legado de Bush a Obama será um novo acordo de permanência das tropas americanas no país, assinado diretamente com o governo iraquiano.
Economia
Diante da grave crise financeira, tema que seria prioridade de governo para qualquer um dos candidatos, Obama pode anunciar ainda hoje o nome do seu secretário do Tesouro. O secretário tem papel central na política econômica adotada pelo governo e pode indicar a estratégia de Obama para resolver a crise e afastar o fantasma da recessão.
| Virginia Mayo/AP |
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| Lawrence Summers é um dos nomes para o time econômico |
O nome escolhido será o responsável pela execução do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões para a compra de ativos "podres" (sem liquidez) e a recapitalização de instituições financeiras.
Na lista de especulações, Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve (Banco Central) em Nova York, Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro e Paul Volcker, ex-presidente do FED (Banco Central americano).
Geithner argumenta que os bancos, cruciais para o sistema financeiro global, deveriam operar sob um marco regulatório unificado --seguindo a proposta de regulamentação adotada por Obama após o estouro da crise financeira, em meados de outubro.
A seu favor, conta ainda a experiência como subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais no governo do democrata Bill Clinton (1993 a 2000), quando trabalhou com os ex-secretários do tesouro Robert Rubin e Lawrence Summers.
Summers é outro dos nomes especulados para o cargo. Além de secretário do Tesouro no governo Clinton, período em que foi muito elogiado pelos investidores de Wall Street, Summers foi reitor da prestigiada Universidade Harvard.
Ele já ocupa cargo de conselheiro econômico de Obama, especialmente após a explosão da crise. Ele foi um dos principais nomes do governo Clinton para enfrentar, na década de 1990, as conseqüências das crises do México, da Rússia e da Ásia nos EUA.
A lista inclui ainda Paul Volcker, ex-presidente do FED (Banco Central americano) e considerado um dos grandes nomes do mundo financeiro desde que conseguiu debelar uma inflação anual de dois dígitos nas décadas de 1970 e 80.
Vocker manifestou apoio a Obama em janeiro, quando o presidente eleito era ainda um azarão na disputa da nomeação partidária contra Hillary. Ele teve papel decisivo na redação do discurso, em março, no qual o então pré-candidato democrata defendeu uma reforma do sistema financeiro.
Com Reuters
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