Mundo
06/11/2008 - 15h50

Comentário: Qual a verdadeira cor de Obama?

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LIGIA BRASLAUSKAS
Editora da Folha Online

Negros choraram com anúncio de que o negro --(ops!) ou seria mulato ou afro-descendente ou quase branco-- Barack Obama foi eleito por voto popular como o novo presidente dos Estados Unidos. Após a eleição, o que se vê é o questionamento de vários grupos da sociedade enaltecendo ou não o fato de ele ser negro. É preciso, antes de entrar no assunto, esclarecer que os brancos também choraram de emoção com a vitória de Obama.

Se negros foram às lágrimas por verem na vitória do senador de Illinois o encerramento de uma história pesada de racismo nos EUA, brancos igualmente ficaram felizes por verem nele a chance de mudança após oito anos de um governo violento, cheio de erros, mentiras e que culminaram na maior crise financeira dos país desde o "crash" de 1929.

Morry Gash/AP/Folha Online
O democrata Barack Obama, que foi eleito no último dia 4 presidente dos Estados Unidos
O democrata Barack Obama, que foi eleito no último dia 4 presidente dos Estados Unidos

Todo mundo gosta do Obama. Os EUA elegeram Obama, o Brasil elegeria Obama. Até a famosa associação racista Ku Klux Klan deu um jeito de aceitar Obama, classificando-o como "metade branco". Isso é feio? Não, ao contrário, é ótimo ver que grupos radicais estão maquiando suas próprias idéias retrógradas para justificar sua aposta na mudança.

Obama pode ser da cor que as pessoas quiserem, contanto que esse homem que agora aparece como a grande esperança do "bolso do mundo" realmente consiga lidar com as questões que herdará de George W. Bush e suas gastanças em ações militares que não levaram a nada.

E se ele não conseguir? O que acontecerá com Obama? Será que ele se transformará em um tipo de camaleão que muda de cor mediante suas atitudes? Por exemplo, se ele resolver a crise financeira, continuará sendo ainda mais negro para os negros e um negro cada vez mais branco para os brancos? E se a crise financeira for tão profunda que as taxas de desemprego nos EUA, atualmente na marca de 6,1% (9,4 milhões de pessoas), puser mais gente na rua? Será que neste caso ele será visto como não tão negro pelos negros e mais negro para os brancos?

E que cor terá Obama para as famílias americanas contrárias às guerras em que se meteu o sr. Bush, caso o presidente eleito não consiga retirar os soldados do Iraque como prometeu durante sua campanha? Será ele vermelho-sangue?

Para um homem que já tem tantas cores antes mesmo de assumir o cargo, não dá para saber de que cor será Obama, na opinião pública, até o fim de seus quatro anos de mandato. Mas tomara que daqui em diante a cor do novo presidente seja bem menos importante que o reflexo de suas ações como chefe de governo da maior potência econômico-militar do mundo.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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