Mundo
07/11/2008 - 13h01

Observadores põem em dúvida versão da Geórgia sobre conflito, diz "NYT"

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colaboração para a Folha Online

Novas informações prestadas por monitores independentes presentes no início do conflito entre a Geórgia e a Rússia no começo de agosto põem em dúvida a versão da Geórgia sobre a guerra, conforme reportagem publicada nesta sexta-feira pelo "New York Times".

Segundo relatos obtidos pelo jornal de integrantes da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) presentes no início dos ataques, os militares georgianos, demonstrando inexperiência, atacaram no dia 7 de agosto a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, com artilharia e bombardeios pesados, inclusive contra civis e pacificadores russos, com intenção de causar danos à região separatista.

A versão confronta as alegações da Geórgia, que diz ter agido de forma defensiva, atacando para revidar agressões da Ossétia do Sul e da Rússia, que deu apoio à região separatista. Os relatos dos monitores revelam um ataque incessante da Geórgia em Tskhinvali nos dias 7 e 8 de agosto.

Os monitores também disseram que não há certeza de que vilas da Geórgia sofreram bombardeio na tarde do dia 7, pondo também em dúvida uma das justificativas dadas pelo presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, para o ataque.

Os relatos demonstram que na ocasião, além de ataques pesados e precipitados à capital da Ossétia do Sul, a Geórgia não cumpriu com a declaração de cessar-fogo feita em rede nacional de TV à noite pelo presidente Saakashvili.

A reportagem diz que os relatos "levantam dúvidas quanto à exatidão e honestidade da Geórgia na insistência que seu bombardeio a Tskhinvali foi uma operação precisa". O país disse em várias ocasiões que o bombardeio foi necessário para interromper pesados ataques por parte da Ossétia do Sul a vilas da Geórgia, de forma a trazer ordem para a região e evitar uma invasão russa.

O breve conflito causou danos pesados à Geórgia depois que a Rússia entrou em ação em apoio à Ossétia do Sul. As tropas russas invadiram as bases georgianas, saquearam vilas e tomaram as estradas, vencendo facilmente os soldados georgianos. A destruição provocou uma intervenção diplomática imediata das nações ocidentais, que mediaram um acordo de cessar-fogo para interromper as hostilidades.

No mês passado, governo russo retirou suas tropas do território georgiano, nas zonas de segurança em torno da Ossétia do Sul e da Abhkázia, cumprindo o acordo assinado entre o Kremlin e Tbilisi em agosto.

 

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