Mundo
09/11/2008 - 09h11

Equipe de Obama avalia prioridades para primeiros meses de governo

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colaboração para a Folha Online

Diante da crise financeira e do enorme déficit orçamentário, a equipe do presidente eleito Barack Obama tentam definir quais de suas ambiciosas promessas de campanha são possíveis nos primeiros meses de seu governo.

Obama repetiu neste sábado (8) que sua prioridade máxima será um plano econômico para recuperar os empregos perdidos (segundo relatório do governo, 1,2 milhão de postos de trabalho foram fechados neste ano e 240 mil somente em outubro). Mas, segundo reportagem do "The New York Times", seus conselheiros dizem que a questão é se ele pode cumprir paralelamente as metas para saúde, mudança climática e independência energética.

David Katz-04nov.08/Obama for America
 Bastidores do dia em que Obama foi eleito presidente dos EUA
Barack Obama e a mulher, Michelle, aguardam resultado da votação de terça (4); agora é hora de definir prioridades do seu governo

O debate entre Obama e seus assessores é se ele deve adotar uma estratégia agressiva e de múltiplas frentes ou um planejamento mais pragmático, passo-a-passo. A tensão entre as idéias apareceu antes mesmo da eleição e foi tema recorrente dos memorandos preparados pela equipe em vários assuntos.

"Todo presidente tem a tentação de fazer muito", disse um conselheiro ao "NYT", sem se identificar. "Por outro lado, há o exemplo de [Franklin] Roosevelt, que sugere que um presidente extraordinário pode fazer muito", continuou, citando o presidente que assumiu em 1932 com a responsabilidade de lidar com a Grande Depressão.

A decisão, contudo, pode não estar nas mãos de Obama. O democrata, afinal, recebe do atual presidente, George W. Bush, um plano de resgate financeiro que vai disponibilizar US$ 700 bilhões para a compra de títulos sem liquidez do mercado e que ameaça aumentar ainda mais o déficit americano.

"O pobre homem tem suas mãos atadas pela confusão econômica e financeira que estamos agora", disse John Tuck, ex-assessor do presidente Ronald Reagan. "Eu não sei quais são suas opções. Mas elas são muito, muito limitadas".

A restrição do orçamento foi uma questão que surgiu ainda na campanha presidencial. Questionado em um dos debates presidenciais quais seriam os efeitos disso em seus planos de governo e promessas de campanha, Obama afirmou que priorizará a avaliação dos programas do governo e que vai acabar com os que não funcionam, além de fazer os que são efetivos funcionarem melhor.

Para o orçamento, isso significaria o corte de alguns programas e a redução de verbas de outros, estratégia que vai diminuir o gasto orçamentário mas que pode atingir diretamente sua popularidade.

O argumento de Obama por uma estratégia agressiva na economia lembra a política de Roosevelt de que saúde, energia e educação são partes dos problemas sistêmicos da economia e devem ser abordados de maneira ampla.

Ajuda

Mas os democratas estão discutindo uma estratégia mais diversificada na nova crise financeira global. Eles querem não apenas uma força tarefa na economia, mas um programa que aborde também outras políticas da plataforma de campanha de Obama.

Para isso, ele contará com a ajuda da maioria democrata no Congresso, que quer, já em janeiro, aprovar uma expansão do Programa de Seguro Saúde para Crianças, vetado por Bush. Seria um passo importante no caminho de um plano universal de saúde financiado pelo Estado, como Obama prometeu.

Os democratas também querem incluir na agenda do Congresso os cortes de impostos para a classe média, um dos pilares da campanha de Obama desde o estouro da crise.

"Eu acredito que mostraria logo cedo que a mudança está aí", disse o deputado Chris Van Hollen, membro da liderança democrata na Câmara. "Um dos modos muito visíveis de mostrar isso seria passar algumas das leis que George Bush vetou".

Assim, a equipe de transição de Obama já planeja uma série de ordens executivas presidenciais --como leis para aborto e pesquisa de células-tronco-- para que ele assine nas primeiras horas e dias de seu mandato. Isso mostrará, apostam os assessores, que ele está disposto a agir rápido, mesmo que as promessas maiores fiquem para depois.

Obama parece reconhecer a pressão sob a qual entrará na Casa Branca, em 20 de janeiro. Seja em seu discurso de vitória em um parque de Chicago, em sua primeira entrevista como presidente eleito ou no programa de rádio semanal do Partido Democrata, ele explica que nada virá da noite para o dia e que ele não deve agradar todos os milhões de americanos que votaram nele e em sua plataforma de uma nova Washington.

"O caminho será longo. Nossa subida será íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato", disse, aos cerca de 200 mil que o ouviam no parque Grant, em Chicago, na noite de sua vitória esmagadora. "Haverá atrasos e falsos inícios. Muitos não irão concordar com todas as decisões ou políticas que eu vou adotar como presidente".

Comentários dos leitores
eduardo de souza (499) 01/12/2009 19h26
eduardo de souza (499) 01/12/2009 19h26
Como anunciar o fim da guerra no Afeganistão, que guerra? Essa que estão fazendo para ter o domínio do território assegurando os oleodutos que lá atravessam. Que guerra Barak Obama, essa que a nação americana financiou para as empresas privadas? Que guerra? Essa que fazem, não importa aonde, visando lucros com vendas de armas, controle de posição de exécito em outros continentes... Um dia estará escrito na história humana um capítulo assemelhando voces com o tão temido e odiado líder alemão da segunda guerra mundial. Dirá a história, que num curto espaço de tempo, dois "monstros" foram o martírio da humanide. sem opinião
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Henrique Silva (201) 01/12/2009 00h44
Henrique Silva (201) 01/12/2009 00h44
Nos EUA a situação da saúde para quem não tem seguro-saúde é infinitamente pior que a situação de um trabalhador brasileiro que depende do SUS. Fazer um sistema de saúde que garanta atendimento básico na maior potência econômica do mundo é muito importante não só para o povo americano pobre, mas para a imagem dos EUA no mundo. sem opinião
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Carlos Gonçalves (418) 30/11/2009 19h52
Carlos Gonçalves (418) 30/11/2009 19h52
George Bush pai fooooi amigo do pai de Bin Ladem. George Bush filho foi amigo e sócio do Salem Bin Ladem , irmão de Osama. O Bush filho teve tres sócios, dois quebraram e Salem morreu de acidente de avião, conveniente, quem ficou com os despojos?
Osama foi treinado pela CIA, à época do domínio soviético no Afeganistão. 32 mil rebeldes, aquela época, venceram e expulsaram os soviéticos. Hoje, como são contra os americanos, são chamados de terroristas. Engraçado não é.? Todos sabem que o Afeganistão é estratégico para os EUA que se dirigem países com desinência -ão: Turquistão, azerbaijão, Casaquistão...
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