Mundo
09/11/2008 - 21h00

Por causa de Berlusconi, Bruni se diz feliz por ter se nacionalizado francesa

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da Ansa, em Roma
da Efe, em Paris

A primeira-dama da França, Carla Bruni, nascida na Itália, afirmou se sentir "feliz" por ter se nacionalizado francesa ao comentar as declarações do premiê italiano, Silvio Berlusconi, após as eleições norte-americanas.

14.jul.08/Reuters
Após fala de Berlusconi sobre Obama, Bruni se diz feliz por ter se nacionalizado francesa
Após fala de Berlusconi sobre Obama, Bruni se diz feliz por ter se nacionalizado francesa

Logo após a eleição do democrata Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, Berlusconi brincou dizendo que Obama é "jovem, belo e bronzeado", declarações que geraram polêmica no cenário político interno italiano e também repercutiram na mídia mundial.

"Provoca um estranho efeito escutar o premiê italiano Silvio Berlusconi brincar dizendo que Obama está 'sempre bronzeado'", disse Carla Bruni ao "Journal du Dimanche". Por isso, a modelo e cantora afirmou que "às vezes se sente feliz" por ter se nacionalizado francesa.

O ex-presidente italiano Francesco Cossiga, por sua parte, respondeu a Carla dizendo que "nós italianos também estamos contentes que não seja mais italiana, inclusive estamos felizes! Mas talvez um dia, Carla, com sua vida tempestuosa, se sinta obrigada a pedir sua cidadania italiana".

7.nov.08/AP
Italiano protesta em Roma após comentário do premiê Berlusconi
Italiano protesta em Roma após comentário do premiê Berlusconi

"Elogio"

Berlusconi reagiu às críticas dizendo que faltou senso de humor à oposição. "Como é possível que considerem um grande elogio como uma coisa negativa? Pois que vão a [...]", disse o premiê.

De acordo com comunicado oficial, Obama conversou com Berlusconi por telefone, nesta sexta-feira (7) à noite, e os dois tiveram uma conversa "longa e cordial".

"Oui, nous pouvons"

Bruni apóia um manifesto "em favor da igualdade real" publicado neste domingo, a respeito da vitória de Obama e que utiliza o lema de sua campanha.

"Oui, nous pouvons", como é chamado o manifesto --uma tradução ao francês do "Yes, we can", lema do democrata na campanha eleitoral--, foi publicado no "Le Journal du Dimanche".

Apesar de a primeira-dama da França não aparecer como signatária do manifesto, o periódico afirma que ela "concorda" com o texto, após ela advertir de que, "se fosse só Carla Bruni, a cantora, assinaria sem problemas o manifesto a favor da igualdade".

"Mas me chamo Bruni-Sarkozy, e meu sobrenome me pertence menos. Seria estranho se me comunicasse com o poder, ou seja, com meu marido, através de um pedido interposto", afirma a ex-modelo e cantora ao jornal.

Por enquanto, o manifesto conta com a assinatura de vários políticos do partido União por um Movimento Popular (UMP, no governo), mas também de outras legendas, e nele se afirma que a eleição de Obama "destaca, por um cruel contraste, as carências da República Francesa".

O texto acrescenta que a França se diferencia dos Estados Unidos porque os americanos "souberam superar a questão racial ao escolher como presidente um homem que é negro".

"Que lição", afirma o manifesto, no qual se diz que os franceses devem escutar os americanos e pede a aplicação de um programa mínimo de apoio à "igualdade real".

Ao apoiar o manifesto, Bruni destaca que concorda com "as grandes linhas", mas que é "talvez, mais indulgente para com a França, que está disposta a se movimentar", e cita seu caso e o de seu marido, Nicolas Sarkozy.

"Meu marido não é Obama, mas os franceses votaram no filho de um imigrante húngaro, cujo pai tem sotaque, cuja mãe é de origem judaica e que sempre reivindicou ser um francês que chegou de fora de um certo modo", afirmou.

"E, pessoalmente, eu não encaixo no perfil tipo da primeira-dama. Sou uma artista, nascida italiana", explica Bruni na entrevista ao jornal.

 

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