Termina sem acordo reunião para resolver crise no Zimbábue
colaboração para a Folha Online
A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) encerrou neste domingo (9) uma reunião sem acordo para formar um governo de unidade no Zimbábue. O bloco pediu ao poder e à oposição no Zimbábue que compartilhassem o importante ministério do Interior, que controla a polícia do país. A proposta, no entanto, foi negada pela oposição, liderada por Morgan Tsvangirai.
O país, governado há 28 anos por Robert Mugabe, enfrenta uma crise política depois de um impasse na divisão do poder pactuado em setembro com o partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) e uma facção interna.
| Themba Hadebe/AP |
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| Morgan Tsvangirai recusou proposta para dividir Interior |
A direção da SADC declarou que a cúpula de emergência do bloco, que reúne 15 países, realizada neste domingo na localidade sul-africana de Johannesburgo defendeu a formação imediata de um governo de união no Zimbábue.
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, acertaram formar um governo de unidade há dois meses, mas esse acordo se encontra paralisado devido as disputas sobre a divisão dos ministérios, principalmente o do Interior.
O secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, disse que a cúpula pediu às duas partes que nomeiem ministros para compartilhar a pasta. A proposta foi aceita por Mugabe, mas recusada por Tsvangirai na manhã desta segunda-feira.
Tsvangirai disse que seu partido, o MDC, descordou "totalmente" da recomendação para que nomeasse, junto com Mugabe, ministros que atuariam conjuntamente no Interior. O bloco regional não divulgou os detalhes da proposta, segundo a qual a pasta seria ocupada por co-ministros dos diferentes partidos e facções, que não têm demonstrado confiança mútua. Tsvangirai insiste em acusar Mugabe de controlar a polícia que poderiam perseguir membros da oposição.
Com a rejeição, fica dificultada a formação de um governo de unidade no país que, sem a concretização do acordo celebrado no último dia 15 de setembro, tem ficado praticamente sem liderança para resolver uma grave crise econômica interna. O presidente do Zimbábue deixou a reunião com sua equipe sem dar comentários.
O líder de uma facção interna do MDC, Arthur Mutambara, também recusou aliar-se com Mugabe no Ministério do Interior sem a concordância de Tsvangirai. Tsvangirai disse que irá procurar auxílio para pressionar Mugabe e negociar a pasta junto às Nações Unidas e ao União Africana (UA), mas que não abandonará a SADC, que negocia uma solução para o país há um ano.
| Arte Folha Online |
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Crise
Enquanto as negociações não andam, o Zimbábue tem ficado praticamente sem governo, apesar dos crescentes problemas econômicos. A inflação, mensurada pelo próprio governo, chegou a 231.000.000% ao ano, a maior do mundo. Falta moeda corrente no mercado interno e analistas dizem que a inflação real pode ainda ter ultrapassado o índice oficial.
Comida, combustível e outros itens básicos estão escassos no país. Nas vilas, muitos moradores se alimentam com raízes e frutas selvagens. A ONU prevê que no ano que vem, metade da população de cerca de 11 milhões de pessoas irá precisar de ajuda internacional para comer.
As condições de saúde também são desfavoráveis: só em setembro, 27 pessoas morreram de cólera e outras centenas ficaram contaminadas com águas poluídas. O jornal oficial "The Herald" chegou a afirmar que o governo não tinha dinheiro suficiente para pagar firmas para tratamento de água.
Outros países e organizações internacionais já se disponibilizaram a ajudar o Zimbábue, mas não se Mugabe continuar como o principal governante. A África do Sul, por exemplo, já ofereceu US$ 30 milhões (R$ 63 milhões) ao país, mas só vai liberar o dinheiro quando reconhecer a formação do governo multipartidário.
Com France Presse e Associated Press
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