Mundo
10/11/2008 - 15h22

Chávez manda fechar aeroporto e ameaça governador de prisão

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da Efe, em Caracas

Por ordem do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, as Forças Armadas ocuparam nesta segunda-feira um aeroporto no nordeste do país. Chávez justificou a medida dizendo que a petrolífera estatal PDVSA teve acesso negado ao aeroporto pelo governador regional de Sucre, Ramón Martínez, que ameaçou de prisão.

O presidente acusou Martínez de pretender desrespeitar o resultado da eleição regional de 23 de novembro e ameaçou-o, durante um comício de candidatos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual faz parte, em Sucre.

"Vai terminar na prisão este asqueroso, traidor, mafioso!", gritou Chávez em seu discurso.

José Ramón Regnault, prefeito de Carúpano, onde se encontra o aeroporto, no Estado de Sucre, disse aos jornalistas que a ordem presidencial foi executada sem incidentes por soldados da Guarda Nacional (polícia militarizada), mas lamentou o ato.

"Deploramos que em uma democracia se imponha desta forma", disse o prefeito, acrescentando que qualquer transferência do aeroporto "deve passar por um processo administrativo prévio".

Além de negar à PDVSA o uso desse aeroporto, ontem Chávez acusou Ramón Martínez de pretender não entregar o cargo se perdê-lo nas próximas eleições. Martínez rejeitou a ameaça e negou que pretenda desrespeitar o resultado eleitoral porque, segundo ele, as pesquisas asseguram que a candidatura opositora a Chávez tem no Estado "uma vantagem incontornável" de mais de 15%, segundo informou.

Em declarações à emissora União Rádio, Martínez reiterou que entregará seu cargo se perder a eleição e pediu a Chávez "que não utilize as Forças Armadas, porque não há necessidade de jorrar sangue".

Esta não é a primeira acusação antecipada de golpe que Chávez faz contra seus opositores em relação às próximas eleições regionais, que definirão os governadores de 22 Estados --20 vencidos por aliados de Chávez em 2004-- além de 328 prefeitos e 233 legisladores provinciais, em sua maioria hoje alinhados ao governo.

No último dia 25 de outubro, Chávez disse que seria um "plano militar" se a Prefeitura de Maracaibo, capital do Zulia, fosse vencida pelo líder opositor e atual governador desse Estado, Manuel Rosales, a quem derrotou na eleição de dezembro de 2006, definindo sua continuidade no poder até 2013.

"É preciso impedir a burguesia", disse o presidente sobre a disputa pelos governos regionais e municipais. Ele afirmou que a intenção de seus opositores é levar a Venezuela "pelo caminho do golpe e da violência, tratar de deter a revolução bolivariana e derrubar' seu governo, acusou.

Segundo as pesquisas, em ao menos 16 Estados são altas as possibilidades de vitórias governistas.

 

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