Mundo
11/11/2008 - 02h30

Movimento feminista impulsionou a moda durante a Primeira Guerra

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GISELLI SOUZA
colaboração para a Folha Online

O movimento feminista durante a Primeira Guerra, no início do século 20, foi decisivo na mudança da moda da época. A entrada das mulheres no mercado de trabalho, com a ida dos homens para os campos de batalha, foi determinante na mudança do figurino feminino que de frágil passou a ser considerado mais "independente".

"As mulheres adotaram cabelos curtos, saias longas e roupas que não valorizavam o corpo. O objetivo era mostrar um visual sério, que fosse na contramão da imagem de sensível e frágil muito presente no século passado", afirmou Miti Shitara, professora de história da moda das Faculdades Santa Marcelina e FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas).

Divulgação
Scarlett O'Hara, de "...E o Vento Levou"
Scarlett O'Hara, de "...E o Vento Levou"

De acordo com Shitara, a personagem clássica do filme "E o Vento Levou", Scarlet O'Hara (Vivien Leigh), retratava bem o figurino da época, com a utilização de saias longas. "Apesar de ser um filme dos anos 30, as mulheres no início do século já usavam o mesmo modelo. Não era comum usar calça e o mercado de trabalho exigia uma simplificação do visual", disse.

A moda masculina também passava por mudanças com a utilização de elementos de guerra nos trajes comuns do cotidiano. A criação do trench coat --muito utilizado pelas mulheres até hoje-- tinha como inspiração as roupas usadas nas trincheiras da Primeira Guerra.

Reprodução
Dick Tracy deu fama ao trench coat
Dick Tracy deu fama ao trench coat

"O trench coat foi criado a partir de uma encomenda de uma empresa que fazia uniformes esportivos. A princípio o modelo servia para proteger os combatentes do frio. Com a grande aceitação do público, passou a ser usado pelas mulheres e ganhou grande notoriedade no cinema na figura dos gangsters e eternizado na figura do agente Dick Tracy, já nos anos 30", disse Shitara.

O chapéu "cloche" desenvolvido na década de 20 também teve inspiração militar. Segundo a professora, o acessório foi inspirado nos capacetes militares da primeira guerra. No entanto, a grande mudança sentida foi na moda feminina, com a chegada do período conhecido como "Anos Loucos" personificado na figura das "melindrosas".

"As mulheres passaram a usar maquiagem e o cinema se encarregou de trazer novos costumes, como o de passar batom em público e fumar. As mulheres negavam o próprio corpo e não queriam mostrar o seio, nem o quadril", afirma a professora que ressalta a importância na Argentina na moda pós-guerra com a utilização de peles de animais nas roupas e na divulgação do tango.

 

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