Mundo
11/11/2008 - 12h33

Confronto após eleições deixa dois mortos na Nicarágua

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colaboração para a Folha Online

Liberais e sandinistas entraram em confronto com disparos, paus e pedras por causa das eleições municipais realizadas no domingo (9). Os distúrbios causaram a morte de duas pessoas e seis ficaram feridas. O resultado controverso das eleições, que teve apuração questionada pela oposição, motivou os confrontos.

Segundo o Conselho Supremo Eleitoral (CSE), com 82,99% das urnas apuradas, os sandinistas --partidários do presidente, Daniel Ortega-- conquistavam 94 das 146 prefeituras em disputa, incluindo a capital Manágua e outras 11 das 16 capitais das Províncias (Estados), estas com apenas 48,79% dos votos apurados.

Com uma apuração de 45,49%, a aliança Liberal --de oposição-- havia conseguido 46 municípios, entre eles quatro capitais de Províncias.

Oswaldo Rivas/Reuters
Sandinista protesta contra manifestação que reivindica vitória da oposição em Manágua
Sandinista protesta contra manifestação que reivindica vitória da oposição em Manágua

Os distúrbios começaram depois que o candidato à Prefeitura de Manágua, o líder opositor liberal Eduardo Montealegre, realizou um comício na base eleitoral de sua campanha, onde advertiu de que estaria havendo uma "tentativa de fraude" nas eleições do último domingo (9).

Em um encontro com mil partidários em Manágua, Montealegre disse que tinha em seu poder 93,17% das atas de votação da cidade e contestou o resultado oficial, que dá vitória ao sandinista Alexis Argüello. Segundo Montealegre, os documentos indicam que no domingo passado ele obteve 51,06% dos votos, enquanto o adversário ficou com 46,04%.

O tribunal eleitoral informou que o governista obteve 51,88% dos votos, com a apuração de 1.402 juntas receptoras de votos (66,5%) de um total de 2.107 de toda Manágua. Já Montealegre, da aliança opositora liderada pelo Partido Liberal Constitucionalista (PLC), obteve 45,84% dos votos, segundo os últimos dados oficiais.

O opositor pediu ao presidente do CSE, Roberto Rivas, que diga a verdade ao povo. Ele questionou a atuação dos 150 observadores credenciados pelo governo para monitorar as votações. Lançou dúvidas também sobre membros do Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina e do Protocolo de Tikal e do Protocolo de Quito, integrados por funcionários eleitorais da América Central, do Caribe e da América do Sul.

Montealegre pediu ao presidente, Daniel Ortega, para deixar de intervir nos assuntos da justiça eleitoral e para se dedicar a resolver os problemas do país, como o alto preço dos alimentos. Argüello, por sua vez, comemorou a vitória com base nos primeiros relatórios preliminares divulgados pelo CSE sobre o pleito.

Confrontos

Em setores do sul de Manágua houve confrontos entre liberais e pessoas aliadas ao governo sandinista. Os incidentes mais graves deixaram ao menos dois mortos e seis feridos. No domingo (9), o ex-presidente da Nicarágua Arnoldo Alemán disse em entrevista de imprensa, ao lado de Montealegre, que um dos mortos é uma mulher, que foi atingida por um tiro.

Eliseo Núñez, porta-voz do Movimento Vamos com Eduardo, aliado do grupo opositor liderado pelo PLC, informou, por sua vez, sobre outra vítima, morta também a tiros. A Polícia Nacional ainda não confirmou as mortes, enquanto o partido do governo Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) informou de ao menos cinco feridos em enfrentamentos com os liberais.

Os fatos ocorreram no setor sul de Manágua, próximo à casa de campanha do Movimento Vamos com Eduardo, depois que milhares de simpatizantes saíram às ruas para comemorar o autoproclamado triunfo de Montealegre, candidato do PLC.

Os resultados parciais oficiais, divulgados pelo Conselho Supremo Eleitoral (CSE), colocavam em primeiro lugar em Manágua o candidato do FSLN, o ex-campeão mundial de boxe Alexis Argüello.

Com Efe

 

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