Coréia do Norte anuncia fechamento de fronteira com Coréia do Sul
da Folha Online
A Coréia do Norte anunciou que vai proibir novamente o cruzamento viário da fronteira com a Coréia do Sul. O objetivo da ditadura comunista é impedir a entrada de conteúdo contrário ao presidente Kim Jong-il e ao regime de Pyongyang.
De acordo com a agência de notícias norte-coreana KCNA, a medida passará a valer a partir de 1º de dezembro. A decisão foi tomada em resposta às hostilidades de Seul contra o regime comunista.
Um grupo sul-coreano chamado "Lutadores para Libertar a Coréia do Norte" realiza desde 2004 o envio em massa através da fronteira de panfletos de propaganda contra o regime comunista de Kim Jong-il, apesar de as duas Coréias acordarem em suspender essas práticas como parte do processo de reconciliação aberto com a histórica cúpula intercoreana em 2000.
Em nota enviada a Seul em nome do representante militar Kim Young-chul, a Coréia do Norte comunica que seu Exército tomará medidas importantes para fechar o acesso por estrada.
"Apesar das reiteradas advertências por nossa parte, o confronto contra a República (norte-coreana) tomou um nível perigoso por parte da Coréia do Sul, incluindo as autoridades militares", acrescentou o comunicado.
Os representantes militares da Coréia do Norte advertiram ainda que o governo de Seul não deveria esquecer que as relações entre as duas Coréias se encontram "em um momento grave" que poderia levar à suspensão completa das relações bilaterais.
Balões
Nesta semana, um grupo de defesa dos direitos humanos sul-coreano defendeu o envio de propaganda anticomunista a partir da Coréia do Sul.
Apesar de objeções dos governos de ambos os países, o grupo declarou que vai continuar mandando folhetos sobre o estado de saúde o ditador Kim Jong-il, 66, pedindo que a população se rebele. A imprensa sul-coreana vem divulgando, nas últimas semanas, notícias de que Kim sofreu um derrame.
Os folhetos são colocados dentro de balões de gás hélio que, com o vento, cruzam a fronteira que separa as duas Coréias.
A notícia da doença do líder norte-coreano é considerada um tabu no país, onde sua família exerce autoridade absoluta há mais de 50 anos. E o governo do Norte está pedindo que a Coréia do Sul impeça a ação dos ativistas.
Preocupada com o aumento da tensão entre os dois países, a Coréia do Sul pediu que os ativistas parem de enviar os balões. Mas os sinais são de que o apelo das autoridades não surtiu efeito.
"Para ajudar a nossos irmãos famintos, colocamos notas de dólar dentro dos folhetos, e escrevemos informações sobre a ditadura de Kim Jong-il", diz o ativista Park Sang Hak, da organização Fighters for Free North Korea. "Se pararmos, estaremos nos rendendo às chantagens da Coréia do Norte."
Com agências internacionais
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