Mundo
12/11/2008 - 16h47

Coréia do Norte nega a inspetores coleta de amostras nucleares

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colaboração para a Folha Online

O governo da Coréia do Norte declarou nesta quarta-feira que não permitirá que inspetores estrangeiros recolham amostras de lixo radioativo de seu maior complexo nuclear, material fundamental para dimensionar as atividades nucleares do país no passado.

O impedimento foi anunciado em comunicado pelo ministro das Relações Exteriores, que afirmou que o recolhimento de amostras não é parte do acordo firmado no mês passado com os Estados Unidos, que estabelece um regime de verificação das atividades nucleares. A inspeção foi aceita pela Coréia do Norte e previa a continuidade do processo de desnuclearização do país.

A Coréia do Norte disse, no entanto, que os inspetores podem acessar a usina de Yongbyon apenas para checar documentos e entrevistar os cientistas.

A inspeção sobre a usina foi longamente negociada, principalmente entre os EUA e a Coréia do Norte, para que o país comunista prosseguisse o plano de desnuclearização. No mês passado, as autoridades norte-coreanas finalmente aceitaram cumprir o pacto depois que os EUA retiraram o país de uma lista de países que patrocinam o terrorismo.

Decepção

Oficiais americanos dizem que a Coréia do Norte concordou com a coleta de amostras atômicas pelos especialistas para testes.

O governo norte-coreano, no entanto, além de negar a coleta, disse hoje também que apenas a usina de Yongbyon está sujeita à verificação, o que levanta suspeitas de que o regime possa exportar a tecnologia nuclear para países como a Síria.

A embaixada americana em Seul, na Coréia do Sul, não se manifestou sobre o impedimento. Já o governo sul-coreano disse que a comunicado é "decepcionante". "Deveria haver uma rigorosa verificação que possa confirmar a correção e cumprimento da declaração que a Coréia do Norte apresentou", diz o texto.

Ele fazia referência ao documento entregue à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) no início do mês passado em que o país se comprometia a recomeçar o trabalho de desmantelamento da usina de Yongbyon e permitir que os inspetores internacionais verifiquem o processo. O pacto foi feito 2005 entre as Coréias do Norte e do Sul, China, Japão, Rússia e Estados Unidos.

Fronteira fechada

Também nesta quarta-feira, a Coréia do Norte anunciou que vai proibir novamente o cruzamento viário da fronteira com a Coréia do Sul. O objetivo da ditadura comunista é impedir a entrada de propaganda contrária ao presidente Kim Jong-il e ao regime de Pyongyang.

De acordo com a agência de notícias norte-coreana KCNA, a medida passará a valer a partir de 1º de dezembro. A medida pode aumentar a tensão com a Coréia do Sul, parte interessada na desnuclearização do Norte.

Os representantes militares da Coréia do Norte advertiram ainda que o governo de Seul não deveria esquecer que as relações entre as duas Coréias se encontram "em um momento grave" que poderia levar à suspensão completa das relações bilaterais.

Com Associated Press e Reuters

 

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