Obama quer aumentar esforços para capturar Bin Laden, dizem assessores
da Folha Online
O presidente eleito Barack Obama quer reforçar o compromisso dos Estados Unidos em encontrar o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, de acordo com seus assessores de segurança nacional citados pela CNN.
A equipe de Obama acredita que a administração de George W. Bush minimizou a importância de capturar o terrorista por não ter conseguido encontrá-lo.
"Mataremos Bin Laden. Destruiremos a Al Qaeda. Essa é a nossa maior prioridade de segurança nacional", afirmou Obama durante debate do dia 7 de outubro. Porém, encontrá-lo não será fácil.
Em maio, a Al Qaeda divulgou uma fita de áudio com gravações de Bin Laden. No entanto, autoridades da inteligência americana afirmam não ter evidências de onde ele se encontra desde 2001, quando ele quase teria sido capturado em uma batalha contra as forças americanas perto de Tora Bora, no Afeganistão.
Robert Baer, ex-funcionário da CIA, disse à CNN ter conversado com "uma dezena de caras da CIA que estavam em sua caçada, e metade deles me disseram achar que ele estava morto. A outra metade disse achar que ele está vivo, mas a palavra-chave aqui é achar. Eles não sabem".
Paquistão
Membros da inteligência acreditam que Bin Laden esteja escondido nas áreas tribais no noroeste do Paquistão, região remota e primitiva com montanhas de até 4.270 metros, que tornam o deslocamento local extremamente difícil.
A região é dividida em tribos, algumas em guerra entre si, e conseguir recursos humanos na área tem sido muito difícil.
"O que você literalmente precisa é de um exército de informantes, focados nas áreas onde você acredita que Bin Laden esteja escondido", disse Robert Grenier, ex-chefe da CIA no Paquistão.
"Você precisa de muitos deles porque um indivíduo pode ter acesso a algumas famílias e clãs de um vale em particular, mas se ele for a outro vale e começar a fazer perguntas, provavelmente morrerá bem rápido."
O governo dos EUA oferece recompensa de US$ 25 milhões por informações que levem à captura do líder terrorista, mas autoridades que trabalham na região dizem que os moradores locais considerariam desonroso aceitar o dinheiro.
Os EUA têm tido certo sucesso ao conseguir matar líderes da Al Qaeda no Paquistão fazendo uso de aviões não tripulados equipados com mísseis. Mas os ataques também mataram civis, complicando a situação política entre os dois países.
Estratégia
Obama planeja enviar mais militares ao Afeganistão para conter a crescente insurgência do grupo radical islâmico Taleban, mas especialistas alertam que a medida pode ter sérias conseqüências.
"O presidente irá herdar o problema que os soviéticos tiveram por cerca de 15 anos durante a jihad (guerra santa) soviética. Você não consegue tornar submissa a população da Província Fronteira Noroeste e da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão", disse Dalton Fury, comandante de operações especiais em Tora Bora.
"O único exército que teve sucesso [na região] foi o de Genghis Khan e sua horda mongol. Eles cortavam cabeças e matavam todos nas vilas, e, já que se impuseram as regras de combate, não faremos o que eles faziam", disse Fury à CNN.
A cooperação com os militares paquistaneses tem sido delicada, e a maioria dos especialistas acredita que capturar Bin Laden não é uma prioridade para o Exército do Paquistão.
Fury diz que o melhor caminho para o presidente eleito tomar é o de mudar o diálogo sobre Bin Laden. Membros da inteligência não acreditam que ele esteja desempenhando um papel operacional, portanto não tem motivos para se mover ou se comunicar.
"Creio que é importante entender que Bin Laden teve sua chance de martírio. Ele estava nas montanhas de Tora Bora e fugiu. Acho que devemos promover isso."
O militar acredita que a difamação do líder da rede terrorista pode forçá-lo a provar que é relevante e, nesse processo, facilitar que os EUA o encontre.
Apesar dos desafios, os especialistas concordam que é importante capturar o terrorista. "Não creio que a população americana irá aceitar ele sobreviver e nós irmos embora [do Afeganistão]. Seria a piada do mundo", afirmou Fury.
Leia mais
- Lula diz que Obama "não pode fracassar" no governo
- Bispos católicos advertem Obama sobre "lei maligna" do aborto
- Sarah Palin afirma estar "otimista" com governo Obama
- Especialistas em Direito pedem que Obama abra investigação em Guantánamo
- Cachorro "sem pêlo" oferecido a Obama aguarda autorização da embaixada
Especial
Livraria


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar