Obama pode nomear a ex-rival Hillary Clinton para secretária de Estado
colaboração para a Folha Online
A senadora democrata Hillary Clinton está sendo cotada para assumir o cargo de secretária de Estado no governo do presidente eleito, Barack Obama, informou a rede de televisão americana NBC News. A nomeação de Hillary colocaria um ponto final nos boatos sobre a tensão entre os dois senadores depois de uma acirrada disputa pela nomeação democrata, repleta de duros ataques mútuos.
Dois assessores de Obama, falando sob condição de anonimato, confirmaram que Hillary "está sob consideração para o cargo". Para pessoas próximas à senadora, ela aceitaria o cargo se fosse convocada.
| Jae C. Hong-10jul.08/AP |
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| Hillary Clinton participa de evento da campanha presidencial de Barack Obama; ela pode ser a secretária de Estado do governo |
Nesta quinta-feira (13), o gabinete da ex-primeira-dama minimizou a informação dizendo que qualquer decisão sobre a composição do novo governo diz respeito unicamente ao presidente eleito e à sua equipe.
Hillary viajou a Chicago (Illinois), onde mora Obama, mas um assessor da ex-candidata explicou que era para assuntos pessoais. Não se sabe se a senadora se reuniu ou falou com o presidente eleito durante sua visita a Chicago.
A nomeação da ex-primeira-dama ao principal cargo da diplomacia americana poderia ajudar também a superar as mágoas entre os democratas e eleitores pela recusa de Obama em formar a "chapa dos sonhos", com Hillary como sua candidata a vice-presidente. O cargo pode ser também uma "recompensa" por seu bom desempenho nas primárias e um reconhecimento por ela ter apoiado publicamente a candidatura de Obama.
Sua escolha para secretária de Estado pode indicar ainda uma estratégia mais agressiva para política externa do que a defendida por Obama durante a campanha presidencial. Durante a disputa pela nomeação democrata, Hillary se mostrou mais relutante em assumir uma data fixa para a retirada das tropas americanas do Iraque.
Contudo, ambos defenderam vigorosamente o investimento na melhora da imagem dos Estados Unidos e a mudança nas "políticas falidas" de Bush. O ex-presidente Bill Clinton, marido de Hillary, fez um mandato marcado pela diplomacia e pela intensa participação americana em questões mundiais, como a paz no Oriente Médio.
Contudo, o analista Paul Light, da Universidade de Nova York, ressalta os riscos de colocar o nome de Hillary na disputa pelo cargo para depois não escolhê-la. "Fazer isso seria repetir o sentimento de divisão partidária que marcou a campanha e levantaria sérias dúvidas sobre a seriedade com que Obama quer curar as feridas do partido".
Na lista de nomes cogitados para o cargo estão ainda o senador John Kerry, candidato democrata derrotado na reeleição do presidente George W. Bush, em 2004. Sam Nunn, democrata e ex-presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, e Chuck Hagel, membro republicano do Comitê de Relações Exteriores do Senado, também já tiveram seus nomes citados. Outro candidato seria Bill Richardson, embaixador dos EUA na ONU durante o governo Bill Clinton e que tentou a nomeação democrata em 2008.
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