Tribunal nega liberdade a condenado com câncer terminal por atentado em Lockerbie
Um tribunal escocês recusou nesta sexta-feira o pedido de liberdade para o único condenado pela explosão do Boeing 747-121 da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, em 1988, em conseqüência da qual morreram 270 pessoas. O advogado do líbio Abdel Basset Ali al Megrahi alegou que o cliente sofre de um câncer incurável na próstata, que se espalhou pelo corpo.
A Corte de Apelação Criminal reconheceu que o problema de saúde de Al Megrahi é incurável, mas decidiu mantê-lo preso sob o argumento de que ele está recebendo tratamento médico adequado e não está sofrendo com dores. Os juízes disseram que podem reconsiderar o pedido caso as condições físicas dele se deteriorem.
Al Megrahi, 56, que fazia parte da inteligência líbia e à época do atentado trabalhava como chefe de segurança da empresa Libyan Airlines na ilha de Malta, está cumprindo uma sentença de prisão perpétua na Escócia pelo atentado.
Ele e Lamen Khalifa Fhimah foram entregues a um tribunal na Holanda em 2001, após um acordo aceito pelo ditador líbio Muammar Gadaffi. Fhimah foi absolvido, e Al Megrahi tenta desde então reverter a condenação. O depoimento de um vendedor que disse ter sido Al Meghari o comprador de peças de roupa encontradas junto à bomba foi crucial para definir o resultado do julgamento. A bomba teria sido colocada no avião durante uma escala em Malta, segundo a acusação.
Uma declaração de Al Megrahi, que não participou da sessão no tribunal nesta sexta-feira, foi divulgada após o anúncio da decisão. Ele lamentou que a decisão do tribunal lhe impeça de passar o tempo que lhe resta com a família e repetiu que é inocente
"Eu quero reiterar que eu não tenho nada a ver com a explosão de Lockerbie, e que a luta vai continuar independentemente de eu estar vivo para testemunhar o meu nome ser limpo", escreveu.
Diplomacia
O governo da Líbia admitiu neste ano responsabilidade pela explosão, em meio a movimentos de reaproximação com os Estados Unidos. Os dois países, que nos anos 80 tratavam-se como inimigos, assinaram um acordo em agosto que prevê indenização de vítimas dos dois países de ataques mútuos.
O governo líbio pagará indenização às vítimas do atentado, a maioria americana, contra o vôo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, que seguia de Londres para Nova York. Também serão indenizadas as vítimas do atentado a bomba em uma discoteca em Berlim em 1986, que matou três pessoas e feriu 229.
O governo americano, por outro lado, concordou em indenizar vítimas dos bombardeios dos EUA em Trípoli e Benghazi em 1986.
Leia mais
- Líbia e EUA assinam acordo para indenização a vítimas de terrorismo
- Ditador líbio chega à Espanha com comitiva de 300 pessoas
- EUA exigem da Líbia indenização a famílias de vítimas de Lockerbie
- EUA tiram Líbia de lista de Estados terroristas
- Gaddafi nega lamentar o passado de "financiar o terrorismo"
Especial
Livraria

