Mundo
15/11/2008 - 12h26

Morte de mais um palestino ameaça paz em Gaza

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colaboração para a Folha Online

Ao menos um militante palestino morreu neste sábado após uma explosão na faixa de Gaza. Na explosão, outro palestino ficou gravemente ferido, informaram médicos locais. Ambos eram integrantes de uma milícia ligada ao grupo islâmico Hamas, os Comitês Populares de Resistência.

A milícia culpou Israel pela morte, afirmando que um avião israelense lançou um míssil contra um grupo que estava reunido perto da localidade de Beit Hanoun, perto da fronteira. O Exército israelense negou qualquer responsabilidade na explosão, afirmando que não houve um ataque aéreo.

Os conflitos entre tropas israelenses e militantes palestinos registrados nas últimas duas semanas ameaçam romper um pacto de cessar-fogo entre Israel e o Hamas assinado em junho deste ano. Os ataques de Israel já deixaram 11 palestinos mortos. Em retaliação, militantes do Hamas lançaram cerca de 140 mísseis e morteiros contra o sul de Israel.

Israel diz que continua comprometido com o cessar-fogo, validado no último dia 19 de junho. O cessar-fogo estabelece que o Hamas não atire foguetes ou execute outros ataques contra Israel. Ele também exige que Israel suspenda gradualmente o bloqueio de passagens para Gaza.

Neste sábado, mais um foguete foi lançado da faixa de Gaza contra Israel. O foguete lançado hoje não provocou vítimas nem danos materiais.

Falta de alimentos

Com a intensificação dos ataques, o Exército mantém fechadas todas as passagens para o território palestino, impedindo a distribuição da ajuda alimentar.

Na sexta-feira (14), a ONU foi obrigada a interromper a distribuição de ajuda alimentar no território, depois que Israel reforçou o bloqueio de Gaza em represália aos disparos de foguetes de militantes palestinos. Hoje, vários centros de distribuição de alimentos da ONU em Gaza ficaram fechados por falta de suprimentos.

Devido ao bloqueio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo para que Israel permita a passagem de ajuda humanitária para para Gaza. Em comunicado, ele disse que medidas que aumentem o sofrimento de civis palestinos na faixa "são inaceitáveis e devem cessar imediatamente". Ele também condenou o lançamento de mísseis contra Israel.

Israel reforçou o bloqueio depois que militantes do Hamas tomaram o poder no território há um ano, depois de vencer as forças do Fatah, grupo secular ligado ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Diálogo

Com a ameaça de rompimento do pacto de cessar-fogo, assinado em 19 de junho com a mediação do Egito, o presidente da ANP e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, se reunirão segunda-feira em Jerusalém, pela primeira vez desde meados de setembro.

Os líderes se encontrarão na residência do primeiro-ministro israelense e discutirão a evolução das negociações de paz, a aplicação da trégua na faixa de Gaza e o fornecimento de produtos básicos aos moradores de Gaza, informou à France Presse um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erakat.

Abbas e Olmert fizeram encontros regulares no ano passado como parte das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. Mesmo assim, as autoridades de ambos os lados já reconheceram que não será possível chegar a um acordo de paz até o final do ano, já que Olmert deixa o cargo em fevereiro.

O fim do mandato de George W. Bush na Presidência dos EUA é outro fator que pode atrasar ainda mais as negociações.

Com Reuters, France Presse e Associated Press

 

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