Mundo
15/11/2008 - 18h15

Rebeldes retomam enfrentamento armado com Exército do Congo

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colaboração para a Folha Online

O conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) foi retomado neste sábado após uma troca de tiros entre rebeldes do general Laurent Nkunda e o Exército congolês em Kabasha, a 100 km ao norte de Goma, capital da Província de Kivu do Norte, onde se concentram os rebeldes.

A informação foi dada neste sábado pelo porta-voz da ONU Jean-Paul Dietrich. Ele disse que não está claro quem começou os ataques e que tropas de paz foram enviadas para a região.

Arte Folha Online

O confronto durou pouco mais de dez minutos. "Houve um confronto entre nossos homens e elementos do CNDP (Congresso Nacional para a Defesa do Povo, guerrilha de Laurent Nkunda), que queriam forçar o recuo da nossa posição em Kabasha", declarou à France Presse o general Vainqueur Mayala, comandante da 8a região militar.

"Este combate já terminou e a posição dos dois lados não mudou", afirmou o general Mayala. Ele afirmou ainda que as duas partes utilizaram artilharia pesada. Kabasha é uma cidade situada 15 km ao sul de Kanyabayonga, um ponto estratégico e porta de acesso à zona norte da província de Kivu Norte.

Desde o fim de agosto, os combates recomeçaram em grande escala na região leste da RDC entre os rebeldes de Laurent Nkunda e o Exército congolês, em violação ao cessar-fogo firmado em janeiro.

Nkunda acusa o presidente da RDC, Joseph Kabila de não proteger a minoria tutsi e permitir a presença em território do país de guerrilheiros hutus ruandeses, que considera culpados pelo genocídio de Ruanda de 1994. No conflito, calcula-se que, em 100 dias, foram assassinados 800.000 tutsis e hutus moderados.

Refugiados

Os enfrentamentos provocaram a fuga de 250 mil pessoas, que dependiam da ajuda humanitária, em grande parte paralisada pela insegurança. Grande parte dos desalojados fugiu para o sul quando os combates se intensificaram em outubro e chegaram a Goma, cidade que os rebeldes ainda não conseguiram tomar.

Karel Prinsloo/AP
O conflito já obrigou mais de 250 mil pessoas a fugirem da região
O conflito já obrigou mais de 250 mil pessoas a fugirem da região

"Caso Goma caia, cairá toda a região", declarou também neste sábado a auxiliar da enviada especial da ONU à RDC, Leila Zerrougui, após uma reunião com Dietrich. Segundo Dietrich, embora os rebeldes de Nkunda estejam a apenas 20 km de Goma, a situação é tranqüila na cidade, já que está protegida pelas tropas da missão da ONU, pelo Exército congolês e por soldados da polícia nacional.

Enquanto as forças militares se concentram na defesa de Goma, outras 25 mil pessoas deslocadas se encontram refugiadas na proximidade de uma base da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc) nos arredores da cidade, onde não recebem assistência humanitária.

Diálogo

O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo chegou ontem à noite à Kinshasa para se reunir com o presidente congolês, Joseph Kabila, e deve seguir ainda hoje para Goma e se encontrar com Nkunda. Ele foi enviado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, à RDC para tentar mediar uma solução para o conflito.

Ontem à noite, ele se reuniu com o presidente da RDC, Joseph Kabila. Disse, no entanto, que o líder congolês "não deu nada que eu considere condições" para dialogar com o líder rebelde Laurent Nkunda. "Mas estamos em uma fase preliminar ainda", completou.

O governo do Congo sempre disse estar disposto a se reunir com Nkunda, mas somente se acompanhado de outras milícias que atuam na região. Nkunda, no entanto, contesta e reivindica que o governo estabeleça diálogo imediato, ameaçando retomar os confrontos.

Antes de viajar ao Congo, Obasanjo falou com Nkunda sobre a situação. "Foi muito agradável ao me ligar há três dias quando estava na Nigéria. Me explicou que espera muito de nosso encontro e de nossas discussões frente a frente", disse Obasanjo sobre a conversa.

Com Efe, France Presse e Associated Press

 

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