Trégua com Hamas em Gaza está "em migalhas", diz Olmert
colaboração para a Folha Online
A trégua com o grupo radical palestino Hamas na faixa de Gaza, em vigor junho, está "em migalhas" depois dos recentes atos de violência, afirmou neste domingo o primeiro-ministro israelense do governo de transição, Ehud Olmert. Durante o conselho semanal de ministros, Olmert ainda disse que pediu às autoridades militares que estudem uma maneira de acabar com o "regime do Hamas" em Gaza.
O território é controlado pelo grupo desde o ano passado, quando seus militantes venceram as forças do Fatah, grupo secular ligado ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
| Arte Folha Online |
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Olmert culpou o grupo pelos recentes ataques mútuos e que ameaçam romper o cessar-fogo. "O fato de que a calma esteja em migalhas e a criação de uma situação de violência prolongada e repetida no sul do país são de inteira responsabilidade do Hamas e dos demais grupos terroristas", disse Olmert.
O Hamas rebateu as acusações, que chamou de "manipulações midiáticas" e que "não refletem a realidade". "É nosso direito responder firmemente a qualquer agressão sionista contra os palestinos", disse o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum.
Nas últimas duas semanas, ataques mútuos entre forças israelenses e militantes palestinos ameaçam romper o pacto de cessar-fogo assinado entre Israel e o Hamas no último 19 de junho, mediado pelo Egito. Ao menos 15 palestinos já morreram, vítimas dos ataques israelenses.
Na manhã deste domingo, quatro palestinos armados morreram em uma ação do Exército israelense. Várias testemunhas asseguraram que um avião não pilotado lançou uma bomba contra um grupo de ativistas dos Comitês Populares de Resistência, uma milícia leal ao Hamas e formada por dissidentes de outras facções.
O Exército israelense confirmou um ataque aéreo, alegando que era uma ofensiva contra um grupo de palestinos que disparava foguetes a partir do norte da faixa. Antes do ataque, dois foguetes lançados de Gaza explodiram no sul de Israel, sem provocar vítimas ou danos materiais.
| Sebastian Scheiner/Reuters |
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| Olmert disse que prepara operação militar para derrubar Hamas |
Operação militar
Com a intensificação da violência, Olmert ameaça ordenar uma grande operação militar na faixa de Gaza para impedir os disparos de foguetes e desestabilizar o grupo extremista. "Ordenei aos serviços de segurança que me apresentem o mais rápido possível as propostas para estabelecer um plano de ação", disse.
Tzipi Livni, líder do partido governista Kadima, que pode substituir Olmert após as eleições de 10 de fevereiro, concordou o primeiro-ministro. "A trégua foi violada, é um fato. Israel não pode aceitar uma violação sem agir. O Exército deve nos apresentar opções para determinar a natureza de nossa reação", declarou.
O tom da divergência veio do líder trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, que usou um tom mais moderado. "Se o outro campo quiser calma, consideraremos seriamente", disse.
O líder do Hamas, Ismail Haniya, disse neste domingo que ainda é possível manter a trégua, mas com a condição de que Israel ponha fim às operações militares na região.
"A continuação da trégua está condicionada à detenção da máquina de guerra sionista que mata os palestinos", disse Hanya no funeral dos quatro militantes mortos hoje. Ele reivindicou também o fim do bloqueio nas estradas de acesso a Gaza mantido por Israel.
Bloqueio
Depois dos novos atos de violência, as passagens entre o território palestino e Israel permaneceram fechadas, o que impede a distribuição de ajuda alimentar e de medicamentos da ONU.
Antes do período de tensão, 160 caminhões cruzavam diariamente os dois principais pontos de passagem, de Kerem Shalom e Karni, com alimentos, medicamentos, material médico, além de cimento e outros materiais de construção.
As organizações humanitárias e a ONU estão preocupadas com a situação em Gaza e já alertaram para a possibilidade de uma crise alimentar no território, onde as condições de vida são cada vez mais difíceis desde que o Hamas assumiu o poder à força, em junho de 2007.
Nesta segunda-feira, Olmert e o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, se reunirão em Jerusalém para discutir a evolução das negociações de paz, a aplicação da trégua em Gaza e o fornecimento de produtos básicos aos moradores da faixa.
Com France Presse
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