TV estatal da Venezuela veicula gravações de antichavista às vésperas da eleição
da Folha Online
Enquanto pesquisas mostram que opositores de Hugo Chávez são favoritos para vencer as eleições regionais marcadas para domingo (23), em alguns dos mais importantes Estados e centros urbanos da Venezuela, a TV estatal entra na campanha, transmitindo grampos de conversas dos adversários do presidente.
Segundo o jornal britânico "The Guardian", o principal alvo da estratégia para constranger os opositores é Manuel Rosales, líder na disputa pela Prefeitura de Maracaibo, a segunda maior cidade do país. Um anúncio mostra o candidato discutindo a compra de jóias caras, em meio a efeitos sonoros e visuais de anéis e de um relógio de luxo da marca Cartier.
Em um outro anúncio, Rosales aparece negociando a compra de gado, tendo ao fundo o som humorístico de mugidos e com imagens de moedas sendo exibidas no vídeo. Até as imagens de um diplomata americano em uma festa de Halloween, vestido de freira e como seios postiços, foram exibidas na TV.
O jornal informa que a origem provável das gravações é o serviço secreto venezuelano, que tem o suporte de agentes de Cuba.
Crise
Chávez tem transformado a campanha em um plebiscito de sua "revolução bolivariana", mas o grande apoio popular que seu governo conseguiu nos últimos anos tem sido afetado pela frustração da opinião pública com o aumento da criminalidade da inflação e com a má qualidade dos serviços públicos.
Os venezuelanos também se preocupam com os efeitos da crise internacional na economia do país, principalmente sobre o preço do petróleo, produto que responde por quase toda a sua receita externa. A uma semana da eleição, o preço médio do petróleo venezuelano --que tem cotação menor que a média mundial por ser de qualidade considerada inferior-- era de US$ 46,35 por barril, quase um terço dos US$ 132,53 de julho passado.
O governo de Chávez, que no primeiro momento afirmou que o país estava desvinculado da crise financeira global, reconheceu que ela terá impacto sobre a Venezuela, destacando a necessidade de "austeridade" nos gastos em 2009. Mas qualquer redução nos programas sociais foi descartada.
Com "The Guardian" e Efe
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