Mundo
18/11/2008 - 14h10

TV estatal da Venezuela veicula gravações de antichavista às vésperas da eleição

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da Folha Online

Enquanto pesquisas mostram que opositores de Hugo Chávez são favoritos para vencer as eleições regionais marcadas para domingo (23), em alguns dos mais importantes Estados e centros urbanos da Venezuela, a TV estatal entra na campanha, transmitindo grampos de conversas dos adversários do presidente.

Segundo o jornal britânico "The Guardian", o principal alvo da estratégia para constranger os opositores é Manuel Rosales, líder na disputa pela Prefeitura de Maracaibo, a segunda maior cidade do país. Um anúncio mostra o candidato discutindo a compra de jóias caras, em meio a efeitos sonoros e visuais de anéis e de um relógio de luxo da marca Cartier.

Em um outro anúncio, Rosales aparece negociando a compra de gado, tendo ao fundo o som humorístico de mugidos e com imagens de moedas sendo exibidas no vídeo. Até as imagens de um diplomata americano em uma festa de Halloween, vestido de freira e como seios postiços, foram exibidas na TV.

O jornal informa que a origem provável das gravações é o serviço secreto venezuelano, que tem o suporte de agentes de Cuba.

Crise

Chávez tem transformado a campanha em um plebiscito de sua "revolução bolivariana", mas o grande apoio popular que seu governo conseguiu nos últimos anos tem sido afetado pela frustração da opinião pública com o aumento da criminalidade da inflação e com a má qualidade dos serviços públicos.

Os venezuelanos também se preocupam com os efeitos da crise internacional na economia do país, principalmente sobre o preço do petróleo, produto que responde por quase toda a sua receita externa. A uma semana da eleição, o preço médio do petróleo venezuelano --que tem cotação menor que a média mundial por ser de qualidade considerada inferior-- era de US$ 46,35 por barril, quase um terço dos US$ 132,53 de julho passado.

O governo de Chávez, que no primeiro momento afirmou que o país estava desvinculado da crise financeira global, reconheceu que ela terá impacto sobre a Venezuela, destacando a necessidade de "austeridade" nos gastos em 2009. Mas qualquer redução nos programas sociais foi descartada.

Com "The Guardian" e Efe

 

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