Alitalia cancela cem vôos diários até 1º de dezembro
da Efe, em Roma
O comissário extraordinário da Alitalia, Augusto Fantozzi, anunciou nesta terça-feira que a companhia aérea cancelará cerca de cem vôos diários até 1º de dezembro, quando passará para as mãos dos novos proprietários.
Em entrevista publicada hoje no jornal "La Repubblica", Fantozzi afirmou que esta decisão foi tomada por causa da greve que alguns trabalhadores da Alitalia realizam há vários dias.
O comissário acusou os pilotos de "prolongar as manobras de decolagem" e disse que os cancelamentos de vôos custaram 20 milhões de euros à companhia aérea. Fantozzi acrescentou que para prestar auxílio aos passageiros afetados, a companhia teve que pagar uma noite de hotel a 10 mil clientes nos últimos dias.
Por sua vez, os sindicatos afirmam que a companhia se viu obrigada a reduzir os vôos da Alitalia --que são cerca de 600 diários-- perante a falta de liquidez da companhia aérea que, segundo Fantozzi, dispõe de pouco dinheiro. Hoje dezenas de vôos foram cancelados, a maioria nos aeroportos de Fiumicino, em Roma, e de Linate, em Milão, e os passageiros, por enquanto, estão sendo recolocados em outros aviões.
Por enquanto, a Enac (Ente Nacional de Aviação Civil) --autoridade de aviação civil da Itália-- multou a companhia aérea em 210 mil euros pelos problemas causados aos passageiros em 10 de novembro, quando um grupo de trabalhadores convocou uma greve sem aviso prévio.
Alguns empregados da Alitalia, sem o apoio dos sindicatos, optaram pela linha dura como protesto diante do novo convênio coletivo oferecido pelos futuros compradores da Alitalia, os empresários reunidos na Companhia Aérea Italiana (CAI).
A oferta apresentada pela CAI será aceita esta semana por Fantozzi e a parte rentável da Alitalia passará para as mãos do consórcio de empresários, possivelmente no dia 1º de dezembro. Os sindicatos autônomos, que representam pilotos, assistentes de vôo e demais funcionários--Anpav, Avia, UP, SDL e Anpac-- não aprovaram a proposta. Desta maneira, a CAI já anunciou que, sem a necessidade dos sindicatos, convidará individualmente os 12.500 trabalhadores a assinar o contrato.
Durante esta semana, a CAI também terá que escolher quem será seu sócio industrial internacional entre a companhia aérea alemã Lufthansa e a francesa Air France-KLM.
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