Morales vai a Washington estreitar relações com EUA
da Efe
O presidente boliviano, Evo Morales, iniciou nesta terça-feira uma visita a Washington em meio a fortes tensões com os Estados Unidos. O objetivo da viagem foi fixar as bases para melhorar a relação com o governo que Barack Obama liderará a partir de janeiro.
A agenda de trabalho de Morales em Washington tem caráter multilateral, pois, por enquanto, não há prevista qualquer reunião bilateral com o governo dos Estados Unidos liderado por George W. Bush.
O chefe do Estado boliviano pretende estabelecer os primeiros contatos com a equipe de transição do presidente eleito, Barack Obama, algo que fontes diplomáticas bolivianas consideraram "difícil" de acontecer.
Sob o mandato do primeiro presidente negro na história dos EUA, Morales quer melhorar as relações bilaterais, que pioraram bastante desde setembro por causa da expulsão mútua de seus embaixadores em La Paz e Washington.
"Temos muita esperança [em] que vão melhorar as relações diplomáticas, de comércio e de investimento com nosso país. Temos muita esperança e somos otimistas", disse Morales em um ato de homenagem a Martin Luther King nas escadas do monumento dedicado ao 16º presidente americano, Abraham Lincoln.
As relações bilaterais esfriaram ainda mais pela decisão de Morales de suspender as operações na Bolívia do DEA (departamento antidrogas americano) e da USAID (agência para o desenvolvimento internacional), e a proibição de que a CIA (agência central de inteligência americana) desenvolva suas atividades.
A resposta dos EUA foi iniciar o processo para suspender os benefícios tarifários concedidos à Bolívia por sua suposta falta de cooperação na luta contra o tráfico de drogas. O programa, conhecido como ATPDEA (em inglês) (lei de preferências tarifárias andinas e erradicação de drogas), permite a entrada de grande parte dos produtos bolivianos no maior mercado do mundo sem o pagamento de impostos alfandegários.
Cerca de 25 mil empregos na Bolívia dependem da ATPDEA, segundo disse recentemente o governo Morales em uma audiência perante o USTR (em inglês), Escritório de Comércio Exterior dos Estados Unidos, para defender a postura e evitar que os benefícios fosse suspensos.
O próximo executivo americano poderia reconsiderar a anunciada suspensão da Lei para a Bolívia. Com a intenção de que essa suspensão seja revista, o presidente boliviano deve se reunir com influentes senadores democratas e republicanos.
Entre outros, Morales se encontrará com o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e com o presidente do comitê dos bancos, o democrata Christopher Dodd. Hoje, o líder boliviano já se reuniu com Richard Lugar, o republicano mais conceituado no comitê de Relações Exteriores do Senado, que qualificou a visita de Morales a Washington como "um passo positivo" para melhorar o diálogo e o entendimento entre os dois países.
Em comunicado, Lugar destacou a importância da ATPDEA para a Bolívia, ao assegurar que "levantar a suspensão fortalecerá as crescentes relações políticas e econômicas entre as duas nações, ajudará a criar empregos e trará cooperação à região".
Morales explicará amanhã ao conselho permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) suas propostas de mudança para a Bolívia e o desenvolvimento do processo constituinte que vive o país, no que será seu primeiro comparecimento perante o organismo interamericano.
Ao chegar à OEA, o presidente boliviano será provavelmente recebido por um grupo de seguidores que convocaram um protesto pacífico contra "as políticas antidemocráticas, econômicas, sociais, internacionais e imigratórias" do governo americano.
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