Polícia aumenta segurança após ataques a família de dois ex-vice-ministros da Saúde no Japão
da Folha Online
A polícia japonesa aumentou a segurança em torno dos ministros do país após o assassinato de um ex-vice-ministro da Saúde e o esfaqueamento da mulher de outro, ambos com carreiras ligadas ao sistema de pensão do Japão.
O atual ministro da Saúde afirmou que alertou seus funcionários de alto escalão e deu à Agência Nacional de Polícia os nomes e endereços de ex-funcionários para que aumentem a segurança em torno de suas casas.
| Dai Kurokawa/Efe |
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| Oficial faz vigília diante do Ministério da Saúde japonês; crimes podem estar ligados à pensão |
Os ataques seguiram uma série de escândalos envolvendo pensões e sistema de saúde para a população idosa no Japão, que cresce a ritmo acelerado. Com a introdução de um esquema de seguro médico, os idosos terão que pagar mais no país pelo serviço de saúde, o que enfureceu a população.
O ex-vice-ministro da Saúde Takehiko Yamaguchi, 66, e sua mulher, Michiko Yamaguchi, 61, foram encontrados mortos em sua casa, em Saitama, a 27 km de Tóquio, nesta terça-feira, com múltiplas facadas, informou a polícia.
Yasuko Yoshihara, 72, mulher do ex-vice-ministro da Saúde Kenji Yoshihara foi atacada e esfaqueada no peito, em sua casa, por um homem disfarçado de entregador. Suas feridas não foram fatais.
"Eu não sei se os incidentes estão ligados, mas isso é desolador", disse o primeiro-ministro japonês, Taro Aso. "Eu estou rezando pelas almas dos que foram mortos e pela recuperação da que foi ferida".
A segurança também foi fortalecida em torno do Ministério, onde todos os visitantes devem passar por detectores de metal. "Não está claro se os dois incidentes estão ligados, mas a polícia está investigando a possibilidade de que estejam relacionados com ataques terroristas", disse o porta-voz do governo, Takeo Kawamura.
A agência de notícias Kyodo disse que a polícia está investigando pegadas no sangue nos dois lugares dos ataques.
Pensão
O governo japonês enfrenta dificuldades para reorganizar o esgotado sistema de pensão e benefícios sociais em uma das populações com o mais rápido crescimento no número de idosos. Até 2050, estimativas são de que duas em cada cinco pessoas terão mais de 65 anos no país, o dobro da média mundial.
A situação foi agravada por uma série de polêmicas envolvendo problemas no registro das pensões, que aumentou a ansiedade e temor da população.
A confusão envolveu 64 milhões de registros de pensão, incluindo 50 milhões que não conferem com os dados dos seus donos e outros 14 milhões de casos que ainda não entraram no sistema informatizado do governo.
Das 50 milhões de conta, o governo afirma que 30 milhões já estão confirmadas e corrigidas. Contudo, nenhuma das 14 milhões de contas, ainda em microfilmes, foram digitalizadas.
"Nós sabemos que há profunda angústia. Cada pesquisa nos conta que vocês estão profundamente preocupados sobre sua aposentadoria e o sistema confuso de pensão", disse Jesper Koll, presidente da consultoria de investimento Tantallon Research Japan.
O problema com o sistema de pensão contribuiu para as perdas do partido majoritário nas eleições do ano passado e levou dois funcionários de alto escalão do primeiro-ministro a renunciarem diante de altas taxas de reprovação.


