Mundo
19/11/2008 - 09h15

Duma aprova prorrogação do mandato presidencial em segunda votação

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da Folha Online

Os integrantes da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, aprovaram nesta quarta-feira --por 351 votos a 57-- a emenda constitucional que prolonga o mandato presidencial de quatro para seis anos. Foi a segunda votação da medida, que ainda precisa passar por uma terceira antes de ir ao Conselho da Federação, a Câmara Alta do Parlamento.

Depois de passar pelo Parlamento, a proposta precisa obter a aprovação de dois terços das 83 assembléias regionais da Rússia.

Alexander Zemlianichenko-06.nov.08/Efe
O primeiro-ministro Vladimir Putin (dir.) nega que pedido do presidente, Dmitri Medvedev, possa ajudá-lo a voltar ao poder
O primeiro-ministro Vladimir Putin (dir.) nega que pedido do presidente, Dmitri Medvedev, possa ajudá-lo a voltar ao poder

Quando todo o processo estiver concluído, a proposta entra em vigor. Portanto, ela deverá ser aplicável já ao resultado das próximas eleições, marcadas para 2012. Há boatos de que Dmitri Medvedev, atual presidente da Rússia, tenha proposto o prolongamento do mandato em benefício aos planos do primeiro-ministro Vladimir Putin de retornar à Presidência. Putin presidiu a Rússia entre 2000 e 2008.

Caso a emenda seja aprovada, o mandato dos legisladores também irá aumentar, de quatro para cinco anos.

Na votação desta quarta-feira, houve polêmica. Os 57 votos contrários à emenda foram do opositor Partido Comunista, e o ultranacionalista Partido Liberal Democrático da Rússia não participou da votação em represália à negativa da Câmara em analisar sua própria proposta de emenda. "Tocaram o sagrado, a Constituição, e já tapam a boca da oposição", afirmou o líder do partido, Vladimir Jirinovski, à agência de notícias RIA Novosti.

Caso sejam aprovadas, as propostas do presidente russo seriam as primeiras emendas à lei fundamental pós-soviética, desde sua aprovação por plebiscito, em 1993.

Medvedev

Nesta terça-feira (18), Medvedev voltou a defender sua proposta. Durante viagem pela região dos Urais, ele afirmou acreditar que "seria útil fortalecer a autoridade dos que estão no poder" e que começou a pensar na reforma "há cinco anos". Putin negou que as emendas tenham uma "dimensão pessoal".

Especialistas apontam que as emendas buscam fortalecer a figura do presidente no momento em que a crise financeira global afetou seriamente a economia nacional.

Militares

Medvedev também propôs reformas nas Forças Armadas, o que provocou reações por parte de oficiais reservistas. Ontem, em entrevista a jornalistas, em Moscou, esses oficiais pediram que Anatoly Serdyukov seja retirado do cargo de ministro da Defesa. Desde que assumiu, ele já tomou medidas polêmicas como vender propriedades valiosas do Exército.

"Isso não é uma reforma. Você não pode chamar a destruição do Exército de reforma", disse o coronel da reserva Vladimir Kvachkov.

Com agências internacionais

 

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