Mundo
19/11/2008 - 16h02

Piratas somalis são paramilitares e profissionais, diz almirante francês

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da France Press

O almirante Gérard Valin, comandante das forças marítimas francesas do Oceano Índico, afirmou nesta quarta-feira que a ação dos piratas somalis, no golfo do Aden, são "verdadeiras forças paramilitares e altamente profissionais".

Christian Duys/AP
"[Donos de navio petroleiro seqüestrado negociam resgate com piratas somalis]":http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u469400.shtml
Donos de navio petroleiro seqüestrado negociam resgate com piratas somalis

De acordo com Valin, "em alguns minutos", simples pescadores que navegam em barcos tradicionais como milhões de seus semelhantes, podem se transformar em temíveis piratas equipados com armas,lança-foguetes, sistema de GPS e telefones por satélite.

"Estes supostos pescadores precisam de apenas 15 minutos para invadir um navio de grande porte e fazer todos os tripulantes de reféns", comentou o almirante.

De acordo com Valin, as operações dos piratas evoluíram. Antes limitados aos barcos, os criminosos recorrem atualmente a navios, como velhos cargueiros que podem rebocar até quatro barcos pequenos. Dessa forma, os piratas conseguem surpreender as vítimas em alto-mar.

O almirante afirmou que, em alguns casos, os helicópteros militares franceses deram o alerta depois de terem detectado a presença de escadas a bordo nas pequenas embarcações. De acordo com os militares franceses, os ataques de navios por piratas se multiplicaram na região. Desde o início deste ano, foram 133 ataques, sendo 39 bem-sucedidos. Nos três anos precedentes, foram 70 ataques, sendo quem em 31 os criminosos tiveram sucesso.

Os números divergem das estatísticas divulgadas pelo BMI (Birô Marítimo Internacional). De acordo com o BMI, pelo menos 92 navios foram atacados por piratas somalis no Oceano Índico e no golfo de Áden desde o início de 2008. Destes 92 ataques, 36 foram bem-sucedidos. Onze ataques foram registrados na região entre os dias 10 e 16 de novembro, segundo o BMI.

Cerca de 16.000 navios passam a cada ano pelo estreito de Bab el Mandeb, entre golfo de Áden e o Mar Vermelho, por onde transita quase 30% do petróleo bruto mundial.

A zona de influência dos piratas, limitada ao golfo de Áden, foi ampliada em setembro, quando uma segunda "frente" foi aberta mais ao sul, numa área de 400 milhas náuticas (740 km) ao largo de Mogadiscio. Seis ataques foram realizados em um mês nesta segunda zona.

No entanto, os piratas somalis também atuam ainda mais longe de suas bases. O Sirius Star, um superpetroleiro saudita, foi capturado sábado mais de 450 milhas náuticas (800 km) ao sudeste de Mombaça (no Quênia).

Para os dezenas de navios de guerra presentes na região, "o principal objetivo é impedir os piratas de invadirem os navios mercantes e fazerem os tripulantes de reféns", explicou o almirante Valin.

"Expulsar os piratas à força [destes navios] é uma operação complexa, que exige meios importantes para minimizar ao máximo os riscos, tanto para os reféns como para os comandos e os próprios piratas", disse.

"Não estamos em guerra contra forças armadas tradicionais, mas contra criminosos que fazem negócios com reféns e que devem ser capturados vivos para serem julgados", afirmou o almirante francês.

 

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