Mundo
19/11/2008 - 22h47

Piratas da Somália ganharam até US$ 30 mi em resgates este ano, diz ONU

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da Associated Press

Os piratas que atuam na costa da Somália conseguiram entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões (R$ 59 milhões e R$ 71 milhões) em resgates ao longo de 2008, enquanto a ausência da lei e a insegurança aumentam no país africano, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas.

Arte Folha Online/Arte Folha Online

Ban disse em seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU que o aumento da pirataria e do roubo armado contra navios ao longo da costa somali afetaram de forma severa o comércio, contribuíram com a crise humanitária e diminuíram ainda mais a força do já fraco governo federal.

De janeiro a outubro, cerca de 65 navios mercantes, com aproximadamente 200 tripulantes cada, foram seqüestrados no litoral da Somália, segundo o sul-coreano.

"Estima-se que, desde o começo de 2008, de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões foram pagos em resgates a piratas", afirmou o secretário-geral.

A soma não inclui o resgate em potencial de 17 embarcações e mais de 300 tripulantes que estão sob o domínio de criminosos, de acordo com o Birô Internacional Marítimo.

"Incontrolável"

Entre eles está um navio carregado de tanques de guerra e armas pesadas e um petroleiro da Arábia Saudita com carga avaliada em US$ 100 milhões.

Ban afirmou que a crise econômica global "teve repercussões severas na já problemática economia da da Somália", com o aumento da pirataria prejudicando o comércio de forma que a moeda local se desvalorizou em cerca de 80%.

A inflação está "incontrolável", principalmente na parte sul e central do país, onde os preços dos combustíveis aumentaram cerca de 170% e alimentos básicos tiveram alta de mais de 250% entre agosto de 2007 e agosto deste ano.

"Se as comunidades locais não receberem os meios de conseguir uma vida sustentável em meio aos desafios globais e locais, a Somália continuará a ser terreno fértil para o surgimento de extremistas frustrados --um desafio à sua estabilidade, à da região e do resto do mundo."

A Somália não tem um governo efetivo desde 1991, quando senhores da guerra depuseram o ditador Mohamed Siad Barre e passaram a guerrear entre si. O governo atual foi formado com a ajuda da ONU, mas falhou em proteger os somalis da violência e da pobreza.

Entre julho e outubro, disse Ban, "a situação de segurança na região centro-sul da Somália se deteriorou de forma dramática".

 

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