Mundo
21/11/2008 - 07h39

Duma aprova extensão do mandato presidencial para seis anos

Publicidade

da Folha Online

A Câmara baixa russa aprovou nesta sexta-feira em uma leitura final a emenda proposta pelo presidente, Dmitri Medvedev, para estender o mandato presidencial de quatro para seis anos, em uma medida que críticos apontam como caminho para o retorno do premiê Vladmir Putin ao cargo.

As emendas foram aprovadas com 392 votos a favor e 57 contra --entre estes o Partido Comunista, de oposição a Putin--, informaram as agências russas. A extensão do mandato não será aplicada ao atual presidente.

Alexander Zemlianichenko-06.nov.08/Efe
O primeiro-ministro Vladimir Putin (dir.) nega que pedido do presidente, Dmitri Medvedev, possa ajudá-lo a voltar ao poder
O primeiro-ministro Vladimir Putin (dir.) nega que emenda do presidente, Dmitri Medvedev, possa ajudá-lo a voltar ao poder

As novas normas também estendem de quatro para cinco anos a duração da legislatura. Em outra votação, os legisladores aprovaram por unanimidade o projeto de modificação constitucional que obriga o governo a prestar contas ao Parlamento.

Segundo o procedimento que regula a introdução de emendas à Constituição, os projetos de lei devem ser aprovados em três leituras por maioria qualificada de pelo menos dois terços dos deputados.

As emendas constitucionais, após receber o sinal verde do Parlamento federal, devem ser ratificadas pelos legislativos de pelo menos dois terços das 83 entidades --repúblicas e regiões-- que formam a Federação Russa.

Sergei Karpukhin/Reuters
A general view shows Russia's lower house of parliament, the State Duma, during a reading of a proposal to extend the presidential term in Moscow November 19, 2008. The proposal to extend the Russian president's term by two years moved closer to becoming law on Wednesday when the lower house of parliament approved it on its penultimate reading. REUTERS/Sergei Karpukhin (RUSSIA)
Câmara baixa russa faz leitura de emenda para estender mandato

Há uma forte especulação --negada pelo governo e por Medvedev-- que as emendas estão abrindo caminho para o retorno de Putin ao Kremlin, já que ele continua uma figura popular e muito influente na política russa desde que saiu do cargo, em maio (embora criticado duramente pelos líderes mundiais).

A próxima eleição para o cargo acontece apenas em 2012, mas há especulação de que, com a aprovação das emendas, elas possam ser antecipadas o suficiente para que Putin derrube o banimento de um terceiro mandato presidencial e possa concorrer. Contudo, segundo o porta-voz de Putin, não há planos para uma eleição presidencial antecipada.

Medvedev anunciou as medidas há apenas duas semanas, em seu primeiro discurso à nação, em 5 de novembro. A rápida aprovação das emendas é mais um dos sinais apontados pelos críticos de Kremlin de que o governo quer aproveitar a popularidade de Putin e os tempos de crise financeiro para abrir as urnas antecipadamente.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca