Eleições deste domingo podem alterar o mapa político da Venezuela
da Efe, em Caracas
Cerca de 17 milhões de cidadãos da Venezuela estão aptos a votar neste domingo (23) para escolher autoridades municipais e regionais para um mandato de quatro anos, em eleições que podem alterar o mapa político do país.
A pouca importância que habitualmente esse tipo de pleito tem deu espaço a uma incomum expectativa, impulsionada também pelo presidente Hugo Chávez, que chegou a afirmar durante a campanha que uma vitória da oposição propiciaria um clima de violência no país.
Estão habilitados 11.500 centros de votação, que definirão a escolha de 22 governadores e 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais, para um total de 603 cargos de representação popular, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
A maioria das pesquisas prevêem uma mudança no mapa político venezuelano, no qual o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado no ano passado por Chávez, não deverá atingir a soma de 20 estados conquistados no pleito de 2004.
A partir de dezembro de 2006, as pressões de Chávez para que todos os seus simpatizantes aderissem ao PSUV gerou dissidências que foram responsáveis pela perda de cinco Estados (Aragua, Carabobo, Guárico, Sucre e Trujillo), além dos dois que já estavam nas mãos da oposição, Nueva Esparta e Zulia.
Analistas locais prevêem que esse novo cenário político será ratificado no pleito de amanhã, embora sempre com a possibilidade de que ocorram mudanças pontuais imprevistas. Autoridades militares serão as encarregadas de garantir a segurança da votação, com mobilização de 140 mil soldados e reservistas que vigiarão os centros eleitorais. Os votantes não poderão levar armas e a venda pública de bebidas alcoólicas estará proibida.
Já que a infra-estrutura eleitoral funciona com eletricidade, as Forças Armadas também vigiarão as usinas geradoras de energia, para evitar possíveis blecautes como os ocorridos recentemente, ou mesmo atos de sabotagem. Mais de 95% dos centros de votação contarão com máquinas automatizadas de voto, cuja confiabilidade, precisão e transparência foram verificadas repetidas vezes por observadores e instituições internacionais.
Governo e oposição dão grande importância à "logística" usada para fazer com que a grande maioria de seus seguidores compareçam às urnas. No caso do PSUV, por exemplo, as bases do partido estão organizadas, seguindo um padrão militar, em milhares de patrulhas.
Esse apoio envolve meios de transporte que busquem as pessoas nas casas, forneçam refrigerantes, cuidados pessoais e primeiros socorros.
Em alguns municípios da capital venezuelana, os eleitores terão de preencher até nove quadradinhos. Diante desse quadro, os partidos dotaram seus eleitores de "guias" que poderão ser copiados de forma automática na hora de preencherem as cédulas de votação.
O CNE liberou o uso dessas pequenas colas porque agilizarão o processo de votação, sem violar os direitos do eleitor.
Cerca de 130 convidados internacionais, pertencentes a instâncias como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outras de cunho eleitoral, principalmente da América Latina, atuarão como observadores no pleito, ainda de acordo com o CNE.
A maioria das pesquisas aponta que a participação popular nas eleições poderia chegar a 60%. O CNE deve emitir o primeiro resultado parcial da apuração poucas horas depois do fechamento dos centros de votação. Chávez advertiu que fechará os meios de comunicação audiovisuais que, violando a lei, emitirem resultados próprios antes de o órgão eleitoral divulgar os números oficiais.

