Pai de estudante suicida culpa testemunhas de ato pela internet
da Folha Online
com Associated Press
O pai do estudante Abraham Biggs, 19, que teve seu suicídio transmitido pela internet, afirmou que as testemunhas do ato de seu filho compartilham da culpa pela tragédia. Ele afirmou que ficou estarrecido pela audiência virtual que encorajou seu filho. "Eu penso que eles estavam igualmente errados. Era da vida de um pessoa que eles estavam conversando. E como se trata de um ser humano, você não vê alguém com problemas e simplesmente assiste", afirmou Abraham Biggs Sr.
O jovem de 19 anos da cidade de Pembroke Pines, ao norte de Miami (Flórida), se suicidou por ingestão de medicamentos diante de sua webcam, enquanto outras pessoas assistiam tudo ao vivo pelo portal Justin.tv. O site, que não se pronunciou sobre o assunto, afirma que levou horas até que alguém chamasse a polícia.
Uma das supostas testemunhas virtuais do episódio afirmou que viu o jovem Biggs ter tomado as pílulas e caído no sono. Alguns freqüentadores do portal afirmam que o aviso de suicídio do estudante de 19 anos não foi levado a sério porque ele havia feito a mesma ameaça em outro site.
O pai acredita que a transmissão pela internet foi um pedido desesperado de ajuda. "Mas em vez de conseguir ajuda, ele foi ignorado", afirma.
O advogado William Hill afirmou que, provavelmente, não há qualquer medida legal que possa ser tomada contra aqueles que agiram e nada fizeram. Em relação ao site que permitiu a transmissão, ele também afirmou que não parece ser um caso de negligência, a não ser que fosse possível comprovar que os responsáveis testemunharam o episódio e nada fizeram.
A autópsia concluiu que Biggs morreu de uma combinação de fármacos que sua família reconheceu como sendo os remédios prescritos para o tratamento de sua desordem bipolar.

