Obama espera que montadoras apresentem "plano viável" contra crise no setor
da Efe, em Washington
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, espera que as "Três Grandes de Detroit" --General Motors, Ford e Chrysler-- apresentem um plano viável para a sobrevivência do setor automobilístico, afirmou neste domingo o assessor David Axelrod.
"Como disse [Obama] no início deste mês, o que não podemos fazer é dar um cheque em branco a uma indústria que não está pronta para se reformar, se racionalizar e se modernizar para os mercados de hoje e amanhã", disse Axelrod, em uma entrevista à emissora "Fox".
| Carlos Osorio/AP/30.out.2008 |
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| Congressistas pedem que montadoras apresentem plano para combater crise no setor |
"Espero que eles retornem a Washington no início de dezembro com um plano, ou com o princípio de um plano, porque os contribuintes americanos não vão lhes entregar um cheque em branco para que continuem fazendo o de sempre", afirmou.
As declarações de Axelrod foram feitas após representantes do Partido Democrata no Congresso ter convocado os executivos da GM, da Ford e da Chrysler a apresentarem um plano de viabilidade até 2 de dezembro. Somente depois, seriam estudadas ajuda às empresas que enfrentem uma crise de liquidez.
Os democratas enviaram às montadoras na sexta-feira uma carta com sugestão de itens que devem estar incluídos no plano de viabilidade e reestruturação. Só então é que o Congresso analisará uma possível votação de um plano de ajuda.
Para Axelrod, algumas práticas adotadas pelas montadoras nos últimos 25 anos estão entre as principais causas da situação precária em que se encontram os fabricantes de automóveis. Segundo o assessor, o governo não vai "encorajá-los a seguir pelo mesmo caminho".
Ele afirmou que tanto os executivos quanto os sindicatos e demais partes interessadas têm que contribuir para as discussões sobre como resolver a crise que afeta o setor. "É urgente que o façamos. Há milhões de empregos que dependem desta indústria", disse Axelrod, em suas primeiras declarações após o adiamento do voto de uma medida no Congresso que concederia empréstimos de US$ 25 bilhões ao setor. Calcula-se que o colapso do setor automobilístico poderia desencadear a demissão de 2,5 milhões de empregados.
Ajuda
Por sua vez, em declarações à "Fox", a governadora democrata de Michigan, Jennifer Granholm, defendeu as empresas --fonte vital de empregos em seu Estado--, ao afirmar que elas iniciaram um exaustivo plano de reestruturação.
No entanto, ela reconheceu que os executivos da GM, da Ford e da Chrysler não apresentaram um argumento convincente perante o Congresso na semana passada sobre quanto necessitam e como pensam em utilizar este dinheiro.
"Estamos muito agradecidos em Michigan que o Congresso lhes tenha dado outra oportunidade" para justificar um plano de resgate, afirmou Granholm, cujo Estado já perdeu 400 mil empregos desde 2000 devido à reestruturação do setor.
Dependência
Os EUA importam muitos componentes para a fabricação e o uso de automóveis, como baterias da Ásia e o petróleo do Oriente Médio e, segundo Granholm, o país tem que reduzir essa dependência e "buscar soluções em casa".
A GM, que foi objeto de críticas dos congressistas porque seus executivos viajaram para pedir ajuda a Washington em jatos privados, anunciou na sexta-feira que encerrará o uso de dois de seus aviões fretados. Já a Ford pensa em vender seus cinco aviões corporativos, segundo seu porta-voz, Mark Truby.
Até agora, a equipe de Obama tinha se mantido à margem das disputas entre o Congresso e a Casa Branca sobre como ajudar a indústria automobilística, em momentos de grande incerteza econômica.
Os democratas querem que o dinheiro saia do plano de resgate financeiro de Wall Street, aprovado no mês passado, mas a Casa Branca argumenta que já existe um fundo, aprovado em setembro e a cargo do Departamento de Energia, que incentiva a produção de veículos mais eficientes e ecológicos.
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