Mundo
25/11/2008 - 11h30

Piratas somalis são animais e não humanos, dizem reféns libertados

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da Folha Online

Cinco tripulantes indianos de um cargueiro japonês seqüestrado pelos piratas somalis disseram que os dois meses que passaram sob cativeiro foram de total desespero e que os piratas "não são humanos e sim animais".

Os indianos deram uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (24), em Mumbai, Índia, após terem sido libertados com o pagamento do resgate pedido pelos piratas somalis. "Eu não desejo a ninguém passar por isso, os piratas não são humanos, mas sim animais", disse Alister Fernandes, um dos marinheiros.

"Nós estávamos 24 horas sob a mira de revólveres. Nós estávamos todos na área de navegação. Todos os 22 tripulantes estavam dormindo lá, comendo lá", relatou Fernandes.

Outro tripulante do cargueiro japonês, Naved Burandkar, afirmou que o seqüestro ocorreu quando os piratas chegaram por trás do barco e atiraram foguetes contra a embarcação.

"Eles atiraram continuamente contra nosso navio. Eles embarcaram. Eles estavam atirando, ninguém sabia o que estava acontecendo então você pode imaginar como foi", disse Burandkar.

Eles chegaram em Mumbai depois de vários dias de descanso e cuidados médicos e psicológicos após a libertação, em 16 de novembro. Eles eram tripulantes do Stolt Valor, um navio que carregava produtos químicos e que foi seqüestrado pelos piratas somalis no golfo de Áden, próximo à costa do Iêmen, em 15 de setembro.

Marinha de vários países, afirma a rede de televisão CNN, enviaram navios de guerra à área em um esforço de proteger o carregamento do Stolt Valor e conter a crescente ação dos piratas somalis na região. Contudo, o navio só foi libertado após o pagamento, pela firma japonesa dona da embarcação, de um resgate de US$ 2,5 milhões, segundo a CNN.

Os tripulantes estavam com boas condições de saúde quando foram libertados, mas, segundo os cinco que participaram da coletiva, as condições foram severas e eles viveram sob o contínuo medo de morrer.

Desde o início do ano, mais de 80 embarcações foram atacadas na África, e ao menos 12 permanecem sob poder dos bandidos, que também retêm mais de 200 membros das tripulações.

As águas do golfo de Áden são consideradas agora as mais perigosas do mundo junto com as da Nigéria. A região agora é mais perigosa que a Península de Malaca, na Malásia, antes a rota marítima mais insegura.

Há cerca de dez dias, piratas com base no litoral da Somália abordaram o petroleiro saudita "Sirius Star", por cuja libertação exigem US$ 15 milhões.

 

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