Mundo
25/11/2008 - 17h25

Cólera avança e mata 300 no Zimbábue em meio a crise política e econômica

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da Folha Online

Os casos de cólera no Zimbábue aumentam de forma alarmante, denunciaram nesta terça-feira agências humanitárias da ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo as últimas informações do Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU (Ocha), o número de afetados chegou a 7.283, dos quais 313 morreram.

Uma bactéria de cólera afeta o Zimbábue desde agosto passado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a doença se espalha rapidamente, e apesar de saber que o sistema de saúde é muito fraco, pede ao governo que tome as medidas necessárias para deter a epidemia.

Arte Folha Online
mapa zimbábue
mapa zimbábue

"Uma doença que é relativamente fácil de controlar está se transformando em uma epidemia", declarou em entrevista coletiva a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau.

O problema mais grave é o estado precário da distribuição de água potável e as condições de salubridade do sistema de saneamento público.

Colapso

A crise sanitária, que se soma ao colapso financeiro, aumenta a pressão sobre os grupos políticos que disputam o poder no país. Nesta segunda-feira, o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, disse que o Zimbábue pode "despencar" se não houver uma atuação imediata para solucionar os problemas.

Após um encontro com o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e a ativista de direitos humanos Graça Machel, Motlanthe ressaltou que, caso não se forme um governo legítimo no Zimbábue, "a situação humanitária piorará, explodirá e derrubará tudo ao mesmo tempo".

Falta de comida e hiperinflação --os preços de alguns produtos dobram a cada 24 horas-- levaram milhões de pessoas a fugir do país. Além disso, nas duas últimas semanas, um surto de antraz no sudoeste do Zimbábue matou duas pessoas e 150 animais, de acordo com um membro do governo.

O líder oposicionista Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), fechou em 15 de setembro um acordo com o presidente Robert Mugabe para assumir como primeiro-ministro, mas ainda não houve acerto sobre a divisão de poder.

A agência de notícias sul-africana Sapa informou que representantes do MDC e do partido de Mugabe, o Zanu-PF (União Africana do Zimbábue-Frente Patriótica), reuniram-se nesta terça-feira, mas não houve confirmação de nenhum dos dois lados.

Um porta voz do MDC afirmou que o partido não será forçado a fechar um acordo sob termos desfavoráveis.

"Para nós, é melhor levarmos tempo para chegar a um acordo do que termos um acordo que não vai durar", disse Nelson Chamisa.

Mugabe, que governa o Zimbábue desde 1980, foi reeleito presidente em 27 de junho, concorrendo sozinho no segundo turno. Tsvangirai ficou em primeiro lugar no primeiro turno, em março, mas abandonou a eleição alegando que milícias leais ao governo deixaram quase 90 mortos e 200 mil desalojados em ações para coagir os eleitores.

Com Reuters e Efe

 

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