Mundo
25/11/2008 - 18h34

Piratas afastam navio da costa depois de ameaça de combatentes islâmicos

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MOHAMED OLAD HASSAN
da Associated Press

Piratas somalis levaram seu maior prêmio --um superpetroleiro saudita com US$ 100 milhões em petróleo-- para mais longe da costa no que parece ser um raro movimento defensivo após ameaças de insurgentes islâmicos.

Os piratas dominam o litoral da Somália desde o ano passado, conseguindo cerca de R$ 30 milhões em resgates apesar do crescente esforço internacional para combatê-los, incluindo navios de guerra estrangeiros enviados para dar segurança à rota marítima.

Mas o seqüestro em 15 de novembro do Sirius Star foi o ataque mais audacioso dos piratas até agora e despertou ameaças de extremistas somalis.

Na última sexta-feira (21), guerreiros islâmicos prometeram combater os piratas e libertar o navio porque ele pertencia a um país muçulmano. Dois dias depois, os piratas moveram o navio cerca de 45 quilômetros, deixando-o a aproximadamente 50 quilômetros da vila costeira de Harardere.

Milícias islâmicas

Os combatentes disseram que representavam o Al Shabab --o grupo islâmico engajado em uma insurgência sangrenta na Somália-- mas os líderes do grupo desmentiram a afirmação nesta quinta-feira, dizendo que as ameaças não partiram do porta-voz oficial do grupo.

Roger Middleton, autor de um relatório recente sobre pirataria para o think tank Chatham House, de Londres, disse que não era claro se o Al Shabab pretendia seriamente atacar ou se o grupo estava apenas atuando.

Arte Folha Online/Arte Folha Online

"É possível que o Al Shabab veja a erradicação da pirataria como uma forma de conseguir algum tipo de aceitação internacional", disse. "Não é claro se eles realmente pretendem fazer isso ou apenas dizer isso para melhorar sua imagem (...) o elemento de constrangimento (para o governo) e de demonstração de quão incapaz ele é também faz parte do jogo."

O Al Shabab nunca atacou um navio pirata antes, disse, mas milícias ligadas à administração de Puntlândia, região semi-autônoma no nordeste do país, intervieram duas vezes quando piratas capturaram um navio ligado a interesses comerciais somalis.

A Somália não tem um governo funcional desde 1991. A pirataria quase desapareceu durante uma administração islâmica em 2006. Mas desde então os resgates cresceram substancialmente. Acredita-se que algumas facções da insurgência beneficiam-se da atividade criminosa, fornecendo proteção e ficando com parte do resgate.

Ataques

Houve pelo menos 96 ataques piratas este ano na costa somali, com 40 navios seqüestrados. Ainda estão em poder dos piratas quinze navios e aproximadamente 300 tripulantes que são mantidos próximos às costas leste e sul do país enquanto os resgates são negociados.

Nesta segunda-feira, a rede britânica BBC informou que entrou em contato com um pirata a bordo do Sirius Star que disse que não houve contato com os proprietários do navio e que ainda não foi estabelecido um valor para o resgate. A rede informou que o pirata identificou-se como Daybad.

William S. Stevens/AP
Megapetroleiro de bandeira saudita, em poder de piratas somalis desde o último dia 15
Megapetroleiro de bandeira saudita, em poder de piratas somalis desde o último dia 15

"Nós capturamos o navio pelo resgate, é claro, mas nós não tivemos ninguém confiável para falar sobre ele", disse Daybad.

O capitão do Sirius Star, Marek Nishky, disse à BBC que ele e sua tripulação não tinham queixas e que foram autorizados a falar com as suas famílias.

Nesta terça-feira, uma autoridade de segurança do Iêmen disse que os piratas somalis que seqüestraram na semana passada um navio de carga com material de construção no mar da Arábia pediram um resgate de US$ 2 milhões para liberar o navio.

A autoridade falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar com a imprensa.

O chefe de polícia da Provícia iemenita de Hadramout, Ahmed Mohammad al Hamedi, disse que o navio pertence a uma empresa do Iêmen, mas está navegando sob uma bandeira estrangeira que ele não soube especificar.

Ele disse que havia três iemenitas, três somalis e dois panamenses a bordo.

O navio estava viajando entre Al Mukalla, cidade portuária no sul do Iêmen e a ilha iemenita de Socotra, a cerca de 340 quilômetros a sudeste da costa do país.

Com colaboração de Malkhadir M. Muhumed

 

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