Comandante do Exército pede renúncia do governo contra crise na Tailândia
da Folha Online
O chefe do Exército da Tailândia, Anupong Paochinda, disse nesta quarta-feira estar disposto a declarar estado de emergência no país e afirmou que a solução para a profunda crise política vivida no país é a dissolução do Parlamento e novas eleições.
Paochinda afirmou que o Exército pediu inúmeras vezes que o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, foco dos protestos, renuncie, mas negou que o Exército dará um golpe de Estado --como o dado em 2006 para derrubar o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.
| Sukree Sukplang/Reuters |
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| Manifestantes antigoverno se reúnem no aeroporto internacional de Bancoc |
Ele pediu ainda aos manifestantes antigoverno que encerrem os protestos que se prolongam há meses no país.
O general reuniu-se com líderes militares na sede das Forças Armadas antes de conceder entrevista coletiva em Bancoc. Ele pediu aos manifestantes que deixem o aeroporto de Suvarnabhumi para que seja reaberto.
Embora não tenha dado apoio declarado aos manifestantes, as declarações do general foram entendidas como apoio à Aliança do Povo para a Democracia (APD), que lidera os protestos.
A APD argumenta que Wongsawat é um aliado de Shinawatra, foragido da justiça do país sob acusações de corrupção e abuso de poder. Segundo a APD, formada principalmente por pessoas da classe média, o sistema eleitoral do país é suscetível à venda de votos da maioria rural, que está sob a influência de Thaksin.
Eles propõem substituir o Parlamento elegível por um que seja, em sua maioria, indicado, uma medida que os críticos dizem ser para manter o poder na mão da elite urbana.
Contudo, o líder da APD, Sondhi Limthongul, negou qualquer proposta de diálogo com o governo. "Ele tem que renunciar antes de nos sentarmos para conversar", disse nesta quarta-feira aos seus partidários, segundo informações do jornal "El País".
Prejuízos
Os confrontos entre governo e manifestantes ficaram ainda mais intensos nesta quarta-feira depois que explosões em dois aeroportos de Bancoc deixaram ao menos quatro pessoas feridas.
As explosões levaram ao fechamento do principal aeroporto da cidade, Suvarnabhumi, pelo segunda dia consecutivo e o cancelamento ou atraso de centenas de vôos, informaram as autoridades.
Milhares de manifestantes antigoverno cercaram os dois principais aeroportos da capital tailandesa para protestar contra o retorno de Wongsawat da reunião da APEC, no Peru.
| David Longstreath/AP |
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| Turista aguarda vôo cancelado em meio as bagagens; prejuízos chegam a US$ 500 mi |
Uma das explosões ocorreu em aeroporto Suvarnabhumi às 5h (20h desta terça-feira, no horário de Brasília) e feriu uma pessoa, informou um funcionário do aeroporto. A outra explosão aconteceu às 6h40 (21h40 desta terça-feira, no horário de Brasília) no aeroporto internacional de Don Muang e feriu três pessoas, informou a polícia.
O aeroporto de Suvarnabhumi recebe por dia 125 mil passageiros e tem média de 76 vôos por hora, segundo o jornal espanhol. Os 3.000 turistas que continuam aguardando seus vôos começaram a ser retirados na manhã desta quarta-feira em ônibus e furgões por agentes do governo.
"Nós temos que fechar o aeroporto porque os manifestantes bloquearam tudo", disse Serirat Prasutanont, diretor do aeroporto, acrescentando que o fechamento começou às 4h locais.
As companhias aéreas tailandesas estimam perdas de US$ 500 milhões por cada dia que o aeroporto permanece fechado e os turistas criticam a falta de informações das empresas sobre o futuro de seus vôos.
Com Efe e Associated Press
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