Mundo
26/11/2008 - 09h15

Comandante do Exército pede renúncia do governo contra crise na Tailândia

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da Folha Online

O chefe do Exército da Tailândia, Anupong Paochinda, disse nesta quarta-feira estar disposto a declarar estado de emergência no país e afirmou que a solução para a profunda crise política vivida no país é a dissolução do Parlamento e novas eleições.

Paochinda afirmou que o Exército pediu inúmeras vezes que o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, foco dos protestos, renuncie, mas negou que o Exército dará um golpe de Estado --como o dado em 2006 para derrubar o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

Sukree Sukplang/Reuters
Manifestantes antigoverno se reúnem no aeroporto internacional de Bancoc
Manifestantes antigoverno se reúnem no aeroporto internacional de Bancoc

Ele pediu ainda aos manifestantes antigoverno que encerrem os protestos que se prolongam há meses no país.

O general reuniu-se com líderes militares na sede das Forças Armadas antes de conceder entrevista coletiva em Bancoc. Ele pediu aos manifestantes que deixem o aeroporto de Suvarnabhumi para que seja reaberto.

Embora não tenha dado apoio declarado aos manifestantes, as declarações do general foram entendidas como apoio à Aliança do Povo para a Democracia (APD), que lidera os protestos.

A APD argumenta que Wongsawat é um aliado de Shinawatra, foragido da justiça do país sob acusações de corrupção e abuso de poder. Segundo a APD, formada principalmente por pessoas da classe média, o sistema eleitoral do país é suscetível à venda de votos da maioria rural, que está sob a influência de Thaksin.

Eles propõem substituir o Parlamento elegível por um que seja, em sua maioria, indicado, uma medida que os críticos dizem ser para manter o poder na mão da elite urbana.

Contudo, o líder da APD, Sondhi Limthongul, negou qualquer proposta de diálogo com o governo. "Ele tem que renunciar antes de nos sentarmos para conversar", disse nesta quarta-feira aos seus partidários, segundo informações do jornal "El País".

Prejuízos

Os confrontos entre governo e manifestantes ficaram ainda mais intensos nesta quarta-feira depois que explosões em dois aeroportos de Bancoc deixaram ao menos quatro pessoas feridas.

As explosões levaram ao fechamento do principal aeroporto da cidade, Suvarnabhumi, pelo segunda dia consecutivo e o cancelamento ou atraso de centenas de vôos, informaram as autoridades.

Milhares de manifestantes antigoverno cercaram os dois principais aeroportos da capital tailandesa para protestar contra o retorno de Wongsawat da reunião da APEC, no Peru.

David Longstreath/AP
Turista aguarda vôo cancelado em meio as bagagens; prejuízos chegam a US$ 500 mi
Turista aguarda vôo cancelado em meio as bagagens; prejuízos chegam a US$ 500 mi

Uma das explosões ocorreu em aeroporto Suvarnabhumi às 5h (20h desta terça-feira, no horário de Brasília) e feriu uma pessoa, informou um funcionário do aeroporto. A outra explosão aconteceu às 6h40 (21h40 desta terça-feira, no horário de Brasília) no aeroporto internacional de Don Muang e feriu três pessoas, informou a polícia.

O aeroporto de Suvarnabhumi recebe por dia 125 mil passageiros e tem média de 76 vôos por hora, segundo o jornal espanhol. Os 3.000 turistas que continuam aguardando seus vôos começaram a ser retirados na manhã desta quarta-feira em ônibus e furgões por agentes do governo.

"Nós temos que fechar o aeroporto porque os manifestantes bloquearam tudo", disse Serirat Prasutanont, diretor do aeroporto, acrescentando que o fechamento começou às 4h locais.

As companhias aéreas tailandesas estimam perdas de US$ 500 milhões por cada dia que o aeroporto permanece fechado e os turistas criticam a falta de informações das empresas sobre o futuro de seus vôos.

Com Efe e Associated Press

 

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