Ataques em Mumbai mostram mudança em estratégia de atentados
IAGO BOLÍVAR
colaboração para a Folha Online
Os ataques desta quarta-feira contra hotéis de luxo e pontos de concentração de estrangeiros em Mumbai representam uma novidade no histórico de atentados da Índia. A avaliação é de um especialista em terrorismo e do cônsul brasileiro na cidade.
Para eles, os ataques mostram uma mudança de estratégia dos terroristas que atuam no país ou a infiltração de grupos radicais estrangeiros que adotam táticas da rede terrorista Al Qaeda.
Nas palavras do cônsul-geral do Brasil em Mumbai, Paulo Antônio Pereira Pinto, os ataques podem ter como objetivo enfraquecer o governo.
"Eles visam aparentemente a desmoralização da Índia perante o mundo", disse o cônsul pouco depois dos ataques, ressaltando que o fato de usarem tiros e granadas, e não bombas, também é incomum. Em julho de 2006 sete explosões em um trem mataram 188 pessoas em Mumbai.
| Arte/Folha Online |
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A cidade é o centro financeiro da Índia e os locais atacados são freqüentados por executivos ocidentais que fazem negócios em Mumbai.
O cientista político Christian Lohbauer, membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) da USP disse que os ataques têm semelhança com o atentado a bomba no hotel Marriot de Islamabad, em 20 de setembro, em que mais de 50 pessoas morreram.
Ele considera a possibilidade de que terroristas paquistaneses tenham ligação com o atentado, assumido pelo grupo islâmico Mujahedin do Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), até hoje desconhecido.
Lohauber, que na semana passada hospedou-se em Mumbai na região dos ataques, disse que os fatores de instabilidade da Índia são muito variados para que sejam descartadas outras possibilidades, mas aponta para grupos paquistaneses como suspeitos.
O Paquistão e a Índia estavam unidos durante a colonização inglesa, mas separaram-se durante o processo de independência, em 1947, e desde então disputam o território da Caxemira. Cerca de dois terços da Caxemira estão sob domínio indiano e cerca de um terço está sob controle paquistanês. A China controla uma pequena parte.
As tensões internas entre hindus e muçulmanos e os conflitos com rebeldes tâmeis do Sri Lanka, no sul, compõem o quadro de instabilidade.
"A Índia é, até hoje, uma invenção inglesa, em que o único fator de unidade entre as centenas etnias, com religiões e línguas diferentes, é o idioma inglês", afirmou Lohauber.
A coalizão que sustenta o primeiro-ministro, Manmohan Singh, liderada pelo Partido do Congresso, busca historicamente, segundo Lohauber, integrar a minoria muçulmana, mas está ameaçada nas eleições do ano que vem.
Sem ligação com os terroristas, o partido nacionalista Bharatiya Janata (BJP, Partido do Povo Indiano) aproveita-se da radicalização para mobilizar a maioria hindu e retomar o governo, que ocupou entre 1998 e 2004.
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