Mundo
26/11/2008 - 21h42

Aumenta a pressão sobre o Exército da Tailândia por golpe militar

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da Folha Online

A pressão aumentou nesta quarta-feira sobre o Exército da Tailândia para intervir na crise política que ameaça se tornar um conflito civil, após o premiê Somchai Wongsawat recusar os pedidos para que renuncie.

Entenda a crise na Tailândia
Veja imagens dos protestos

Em rede nacional de TV, Somchai disse que seu governo foi eleito democraticamente e que continuará a trabalhar para o "bem do país", apesar das alegações da Aliança do Povo para a Democracia (APD) de que ele é um fantoche do ex-premiê deposto Thaksin Shinawatra.

Arte/Folha Online

Sua recusa em convocar eleições, como pediu o chefe do Exército, Anupong Paochinda, mais cedo nesta quarta, intensificou a especulação de um golpe iminente, apesar de Anupong ter afirmado não considerar essa hipótese.

Uma fonte militar disse que o Exército, a Marinha e a Força Aérea seguiam conversando madrugada adentro se deviam realizar um golpe de Estado, dois anos após terem deposto Thaksin.

Anupong disse várias vezes que não irá tomar o poder, argumentando que o Exército não é capaz de resolver o conflito político entre a elite de Bancoc e as classes médias, que desprezam Thaksin, e os pobres dos centros urbanos e do campo que o apóiam.

Aeroportos fechados

Após participar de uma cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) no Peru, Somchai --cunhado de Thaksin-- retornou à Tailândia, onde encontrou o aeroporto internacional de Bancoc fechado por manifestantes da APD e um clima de tensão crescente no país.

Na cidade de Chiang Mai, no norte, um grupo pró-governo matou um manifestante anti-governo após retira-lo de seu carro, no primeiro episódio de violência fora da capital, segundo a polícia.

Wichai Taprieua/AP
O premiê da Tailândia, Somchai Wongsawat, ao chegar ao país nesta quinta-feira
O premiê da Tailândia, Somchai Wongsawat, ao chegar ao país nesta quarta-feira

Anupong também disse à APD para encerrar o cerco ao aeroporto Suvarnabhumi, onde todos os vôos foram cancelados, impedindo que milhares de turistas deixem o país. Um corte também emitiu uma ordem para o grupo deixar o aeroporto, um dos maiores da Ásia, apesar de a APD ter dito que irá apelar da medida.

Os ativistas da APD também forçaram o fechamento do aeroporto Don Mueang, em Bancoc. "Os manifestantes bloquearam a entrada do terminal aéreo e decidimos suspender as atividades até às 18h (09h Brasília) de quinta-feira", disse Anirut Thanomkulbutra, diretor do Don Mueang.

O Don Mueang é utilizado apenas para vôos domésticos, mas era o único aeroporto em atividade na capital .

Conflito nas ruas

Após membros mascarados da APD invadirem a torre de controle do aeroporto, um grupo rival pró-governo disse que irá começar a agir nas ruas, aumentando as perspectivas de confrontos civis.

"O que eles fizeram são atos terroristas", afirmou Jatuporn Prompan, do partido governista e líder da Aliança Democrática contra a Ditadura (ADCD), anti-APD, em coletiva.

Somchai deve realizar uma reunião de gabinete em Chiang Mai nesta quinta-feira, na qual irá avaliar "medidas" contra a APD, sem dar maiores detalhes.

Com Reuters e France Presse

 

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