Mundo
27/11/2008 - 09h54

Primeiro-ministro indiano culpa grupos estrangeiros por ataques em Mumbai

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da Folha Online

Atualizado às 10h08.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse nesta quinta-feira em discurso à nação que os ataques terroristas em Mumbai, que deixaram ao menos 101 mortos, foram bem planejados e têm participação de grupos estrangeiros.

"Os ataques bem planejados e bem orquestrados, provavelmente com ligação externa, planejavam criar o sentimento de terror escolhendo alvos de alto escalão", disse Singh, acrescentando que reagirá "de maneira firme" ao uso de territórios vizinhos para lançar ataques contra os indianos.

Veja mapa dos ataques em Mumbai
Veja galeria de imagens dos ataques

O governo indiano freqüentemente culpa o vizinho Paquistão por atentados terroristas já que os dois países têm relações diplomáticas tensas pela disputa da Caxemira.

Harish Tyagi-18nov.08/Efe
NEW07 NUEVA DELHI (INDIA), 18.11.08.- El primer ministro indio, Manmohan Singh, espera la llegada del presidente egipcio, Hosni Mubarak, a la residencia presidencial en Nueva Delhi, India, hoy martes 18 de noviembre. Mubarak realiza una visita oficial de cuatro días a la India, la primera a este país en 25 años. EFE/Harish Tyagi
Primeiro-ministro indiano culpa grupos estrangeiros por ataques

"É evidente que o grupo que realizou estes ataques, baseados fora do nosso país, tiveram, a determinação de criar terror na capital comercial de nosso país", disse o primeiro-ministro. "Nós reagiremos de maneira firme e os vizinhos que usarem o seu território para lançar ataques em nós não serão tolerados e haverá um custo se medidas cabíveis não forem tomadas contra eles".

A declaração de Singh veio pouco tempo depois do anúncio das forças de segurança indianas de que os reféns do hotel de luxo Taj Mahal foram libertados.

"As pessoas foram presas lá, elas todas foram resgatadas", disse o chefe de polícia de Maharashtra, A.N. Roy, ao canal NDTV.

Depois de mais de 15 horas, mais de cem pessoas podem sair do hotel cinco estrelas, um marco histórico de Mumbai com mais de 105 anos. O prédio foi cercado por centenas de policiais e equipes de resgate.

"Mas há convidados nos quartos, nós não sabemos quanto. Por isso a operação está sendo conduzida com muito cuidado para garantir que não haja morte de pessoas inocentes", disse Roy.

Roy disse ainda que os comandos estão revistando todos os quartos do hotel --onde até agora não foram encontrados terroristas. Ele afirmou que os reféns do salão de jantar e das áreas comuns foram resgatados e retirados do edifício, enquanto continua a revista dos quartos.

Mas, pouco após sua declaração, a NDTV conseguiu telefonar para um hóspede preso no interior do hotel, que disse ter ouvido uma forte explosão, mas se negou a revelar sua situação, por temer os terroristas "ainda presentes".

Ao menos dois hóspedes, trancados em seus quartos no Taj Hotel, conversaram por telefone com redes de televisão locais. Um disse que as portas de saída de emergência foram trancadas e outro disse ter visto dois corpos na piscina. 'Dois de meus colegas ainda estão lá. Nós falamos com eles há três horas e depois a bateria do telefone acabou', disse um alemão que escapou do hotel.

As câmeras de televisão mostraram nas últimas horas as forças de segurança retirando seis corpos do edifício e, nos últimos minutos, saíram do hotel com vários hóspedes.

Exigências

Arko Datta/Reuters
Bombeiros tentam apagar chamas no hotel de luxo Taj Mahal, no qual polícia libertou reféns
Bombeiros tentam apagar chamas no hotel de luxo Taj Mahal; polícia libertou dezenas de turistas reféns na manhã desta quinta-feira

Os ataques foram assumidos por um grupo terrorista pouco conhecido, Mujahedin do Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia).

"Libertem todos os mujahideens e todos os muçulmanos vivendo na Índia não devem ser incomodados", disse um militante dentro do Oberoi, conversando com uma rede de televisão local, por telefone.

O homem, que se identificou apenas como Sahadullah, disse ser um dos sete terroristas que estão dentro do hotel de luxo e pediu que os militantes islâmicos sejam libertados das cadeias indianas.

A polícia afirma ter matado quatro supostos criminosos e prendido outros nove. Onze policiais foram mortos, disse Vilasrao Deshmukh, secretário-chefe do Estado indiano de Maharashtra, do qual a cidade de Mumbai é capital.

A Índia sofreu uma onda de ataques a bomba nos últimos anos. A maioria foi atribuída a militantes islâmicos, apesar de a polícia ter prendido também extremistas hindus que poderiam estar por trás de alguns ataques.

No mais mortal, mais de 180 pessoas morreram em sete atentados a bomba em estações de trem em Mumbai por militantes islamitas, em março de 2006.

Em setembro deste ano, cinco bombas explodiram em mercados lotados e também em ruas centrais de Nova Déli, matando pelo menos 18 pessoas e ferindo outras dezenas de vítimas. O grupo Indian Mujahideen assumiu a responsabilidade.

Com Reuters e agências internacionais

 

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