Cônsul brasileiro vai à TV indiana tentar localizar eventuais vítimas
IAGO BOLÍVAR
colaboração para a Folha Online
O cônsul do Brasil na cidade indiana de Mumbai, Paulo Antônio Pereira Pinto, fez na manhã desta quinta-feira um pronunciamento em português na rede de notícias local CNN-IBN para informar o telefone do consulado aos brasileiros que vivem na cidade. Nesta quarta-feira (26), terroristas atacaram com tiros e granadas diversos pontos de Mumbai de grande movimento e freqüentados por ocidentais.
No total, 101 pessoas --sendo ao menos seis estrangeiros-- morreram e 314 ficaram feridas. Não há informações sobre brasileiros entre as vítimas.
O consulado está fechado, porque o acesso ao bairro em que está localizado é feito pela avenida que passa em frente a um dos alvos dos ataques, o hotel Taj Mahal, onde houve novas explosões nesta quinta-feira. Conforme o diplomata, alguns brasileiros telefonaram para o consulado após o pronunciamento, informando que estavam seguros.
Segundo dados do consulado, há uma população flutuante de cerca de 40 brasileiros em Mumbai, o centro financeiro e comercial da Índia. São pessoas com alto poder aquisitivo, a maioria executivos de multinacionais estrangeiras, que não solicitaram auxílio ao consulado. Todos foram orientados a permanecer em casa.
O telefone de emergência do consulado-geral do Brasil em Mumbai é 91 9820 686143.
"11 de Setembro"
O governo indiano também orienta a população a evitar as ruas, mas a recomendação está sendo ignorada por muitos, disse o cônsul.
"Na realidade indiana, que é uma democracia, as pessoas têm um profundo sentimento individualista e jamais teriam obedecido a um toque de recolher". Mesmo na área dos ataques, há pessoas acompanhando as operações e em torcida aberta pelas forças de segurança, relata o diplomata brasileiro.
"Esses ataques estão sendo tratados pela imprensa local como o '11 de Setembro' de Mumbai, porque atingiu o hotel Taj Mahal, símbolo histórico e cultural da cidade", disse o cônsul. "Quando houve a explosão de trem, há dois anos, e quase 200 pessoas morreram, no dia seguinte as pessoas foram trabalhar e os trens funcionaram", conta o diplomata. "Há uma determinação da sociedade civil de não ceder aos ataques."
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