Parlamento aprova retirada de tropas americanas no Iraque até 2011
da France Press, em Bagdá
O Parlamento iraquiano aprovou nesta quinta-feira, por ampla maioria, o acordo com os Estados Unidos que prevê a retirada das tropas americanas do Iraque até 2011, oito anos depois da invasão que derrubou o ex-ditador Saddam Hussein e mergulhou o país no caos.
| Laurent Rebours/AP |
![]() |
| Maioria do Parlamento iraquiano aprovou a retiradas das tropas americanas do país até 2011; resultado é acordo de negociações |
O texto de 30 artigos foi adotado por 149 votos a favor e 35 contra, informou o vice-presidente do Parlamento, Khaled al-Attiyah. O documento foi aprovado pelos principais grupos parlamentares sunitas, xiitas e curdos. Segundo o deputado sunita Ayad al-Samarrai, 14 deputados de todos os grupos parlamentares se abstiveram. O Parlamento tem 275 cadeiras.
O presidente americano, George W. Bush, imediatamente parabenizou os representantes eleitos iraquianos após a aprovação do acordo, que parecia impossível há apenas alguns meses. O consenso foi resultado discussões ásperas entre Bagdá e Washington, e de duras negociações entre os principais grupos parlamentares xiitas, sunitas e curdos.
A decisão ainda terá que ser ratificada pelo Conselho presidencial, que conta, além do presidente Jalal Talabani, com dois vice-presidentes, um sunita e um curdo. Durante a leitura do texto integral do acordo, os deputados do líder radical xiita Moqtada al-Sadr se levantaram e gritaram "Não à ocupação" e "Sim ao Iraque", erguendo cartazes com a inscrição: "Não ao acordo".
O texto prevê que "todas as forças americanas", ou seja, todos os 150 mil militares do país, "deverão ter deixado o território iraquiano até o dia 31 de dezembro de 2011". Além disso, todas as forças de combate americanas deverão ter-se retirado das cidades e aldeias do Iraque até o dia 20 de junho de 2009.
"O território iraquiano, assim como seu espaço aéreo e suas águas, não poderão mais ser utilizadas como ponto de partida ou de passagem para ataques contra outros países. Os Estados Unidos tomarão todas as medidas diplomáticas, econômicas ou militares necessárias para enfrentar eventuais ameaças ou agressões internas ou externas contra o Iraque", informa o documento.
A sessão parlamentar, transmitida ao vivo, começou com a aprovação de um projeto de lei sobre as reformas políticas, que inclui parte das exigências dos sunitas sobre uma melhor distribuição do poder e uma anistia dos prisioneiros suspeitos de terem participado da insurreição. A medida foi uma condição imposta pelos sunitas para aprovarem o acordo de segurança.
O projeto de lei também estipula que a comissão eleitoral deverá organizar antes do dia 30 de julho um referendo popular sobre o acordo de segurança com os Estados Unidos. Alguns minutos depois da ratificação, o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, e o chefe das forças militares no país, o general Raymond Odierno, "parabenizaram o governo iraquiano e os representantes eleitos".
No momento da ratificação do acordo no Parlamento, dois ataques cometidos por camicases contra comboios de polícia em Mossul (sul do Iraque) deixaram dois mortos e 19 feridos, entre eles 15 policiais.
Leia mais
- Parlamento do Iraque adia decisão sobre pacto de segurança com EUA
- Espanha terá relação intensa com EUA na gestão Obama, diz ministro
- Parlamento do Iraque adia decisão sobre pacto de segurança com EUA
- Obama começa a confirmar nomes para Segurança Nacional
- Ex-comandante da Otan será assessor de segurança de Obama, diz imprensa
Livraria
- Jornalista mostra vida dos IRAQUIANOS durante guerra
- Escritor analisa POLÍTICA EXTERNA AMERICANA em "Rumo a uma Nova Guerra Fria"
Especial



avalie fechar
Já se tem mais de 100 mil Marines dos EUA, se mandar mais uns 100 mil vai continuar a mesma coisa. E sabem porque??? Simples guerra que começa mal, termina muito mal. Esta guerra contra Saddan já deu o que tinha que dar. Os EUA podem ficar lá por maism10 anos, que em nada vai adiantar.
avalie fechar
avalie fechar