Índia se recusa a negociar com terroristas em Mumbai, diz jornal
da Folha Online
Em uma mudança de estratégia, a Índia se recusa a negociar com os terroristas que mantêm cerca de 40 reféns em Mumbai há mais de 24 horas, mas mantém o diálogo com os criminosos, segundo o jornal "Times of India".
Nesta quarta-feira, terroristas realizaram ataques a tiros e granadas em diversos pontos de grande movimento e freqüentados por ocidentais no centro financeiro do país e fizeram centenas de reféns em três locais, que foram sendo resgatados ao longo do dia.
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| Altaf Qadri/AP |
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| Forças de Segurança da Índia vigiam hotel Taj Mahal, onde terroristas mantêm reféns; país mantém diálogo, mas não negocia |
O número de mortos chega a 119 e os feridos somam 314. De acordo com as agências de notícias Efe e France Presse, porém, ele já chega a 125.
Aparentemente, a Índia alinhou sua estratégia à de outros países como Estados Unidos, Israel, Rússia e alguns da Europa, que se recusam a negociar com terroristas que mantêm reféns. Uma equipe do FBI de Los Angeles e um grupo de resgate de reféns de Israel viajaram a Mumbai nesta quinta-feira para ajudar as forças de segurança indianas.
Fontes citadas pelo "Times of India" afirmaram que não haverá negociação com os terroristas, mas que é importante manter um diálogo com os criminosos. A manutenção do diálogo tem dois objetivos --ganhar tempo para uma eventual ação armada ou conseguir aos poucos a libertação dos reféns, começando com mulheres e crianças.
Cerco
As forças de segurança da Índia disseram nesta quinta-feira que há apenas um terrorista no hotel Taj Mahal, e a rede CNN afirma haver outros dois no hotel Hoberoi.
Uma autoridade policial disse que a polícia e as tropas do Exército estavam a ponto de terminar sua operação contra os terroristas no hotel Taj Mahal, onde há apenas um terrorista ferido. O diretor-geral dos Guardas da Segurança Nacional, J.K. Dutt, declarou à rede NDTV que no Taj Mahal havia "um terrorista ferido". "Creio que acabaremos a operação logo."
A polícia havia afirmado antes que não havia mais reféns no Taj Mahal. Pouco depois, a agência Press Trust of India disse que, na operação policial no hotel, três terroristas foram presos, entre eles um paquistanês de Faridkot.
Os presos são militantes do Lashkar-e-Taiba, grupo com base no Paquistão que, em 2001, atacou o parlamento da Índia, de acordo com fontes oficiais citadas pela agência.
| Arte/Folha Online |
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Outras autoridades do país disseram que os militares prosseguem com a operação no hotel Oberoi/Trident, no qual ainda há hóspedes, alguns escondidos em seus quartos e outros mantidos reféns dos terroristas. De acordo com a rede CNN, há dois terroristas no local.
Ao longo do dia, a polícia conseguiu resgatar 40 das cerca de 200 pessoas do Oberoi, entre elas 15 funcionários da companhia aérea Air France e outros estrangeiros.
De acordo com testemunhas, os terroristas retiveram em sua maioria britânicos e americanos. A Embaixada de Israel em Nova Déli disse que havia entre 10 a 20 israelenses reféns no hotel.
Ao menos dez pessoas foram feitas reféns no centro judaico Chabad Lubavitch, outro local alvo dos ataques. Segundo uma autoridade, sete deles foram libertados. O rabino Gabriel Holtzberg é mantido refém, de acordo com a Zaka, organização não-governamental ultra-ortodoxa. Segundo a organização, a mulher do rabino e o filho do casal, de 2 anos, estão soltos, informou a Reuters.
Histórico negativo
De acordo com o diário indiano, a Índia tem um histórico negativo de situações com reféns, a começar pelo seqüestro de Rubaiyya Sayeed, em 1989, quando seu pai, Mufti Mohammed Sayeed, era ministro do Interior. Ela foi libertada em troca da libertação de militantes.
Em 1999, durante o seqüestro do avião IC-814, a Índia atendeu as demandas dos terroristas, apoiados pelo grupo radical Taleban, e libertou três terroristas extremamente perigosos, entre eles Omar Sheikh, condenado pelo assassinato do jornalista americano Daniel Pearl.
Nos anos seguintes, afirma o jornal, "a Índia aprendeu algumas coisas sobre negociações" de reféns, e sua nova estratégia foi testada nesta quinta-feira.
"Não houve uma situação até Mumbai para testar a nova política indiana. Mas todos os relatos são de que as autoridades de segurança da Índia não negociaram com os terroristas por resgate, ou pela libertação de reféns, mas apenas como um jogo tático para ganhar tempo."
Com agências internacionais
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