Mundo
28/11/2008 - 01h09

Polícia faz operação contra terroristas em centro judaico na Índia

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da Folha Online

Policiais e atiradores de elite realizaram durante a madrugada desta sexta-feira (hora local) uma ofensiva contra os terroristas escondidos dentro de um centro judaico no centro de Mumbai, a capital financeira da Índia. A polícia acredita que no local estejam escondidos três insurgentes do grupo responsável por ataques que deixaram ao menos 119 mortos no país.

Nesta quarta-feira, terroristas realizaram ataques a tiros e granadas em diversos pontos de grande movimento e freqüentados por ocidentais no centro financeiro do país e fizeram centenas de reféns em três locais, que foram sendo resgatados ao longo do dia.

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O centro judaico Chabad Lubavitch foi um dos locais atacados pelos terroristas, que também invadiram dois hotéis de luxo --o Trident Oberoi e o Taj Mahal. O jornal "The Times of India" informou que duas explosões foram ouvidas no templo, que fica na região sul de Mumbai.

Efe
Pessoas observam complexo hoteleiro de Mumbai onde pessoas permanecem reféns de terroristas desde a noite de quarta-feira
Pessoas observam complexo hoteleiro de Mumbai onde pessoas permanecem reféns de terroristas desde a noite de quarta-feira

Um diplomata de Israel confirmou que várias pessoas, incluindo alguns israelenses, estavam no interior do centro hebreu. O rabino Gabriel Holtzberg é mantido refém, de acordo com a Zaka, organização não-governamental ultra-ortodoxa. Segundo a organização, a mulher do rabino e o filho do casal, de 2 anos, estão soltos, informou a Reuters.

As forças de segurança da Índia disseram nesta quinta-feira que há apenas um terrorista no hotel Taj Mahal. Uma autoridade policial disse que a polícia e as tropas do Exército estavam a ponto de terminar sua operação contra os terroristas no edifício.

Já no hotel Oberoi ainda há hóspedes mantidos reféns e outros escondidos nos quartos. De acordo com a rede CNN, há dois terroristas no local. Ao longo do dia, a polícia conseguiu resgatar 40 das cerca de 200 pessoas do Oberoi.

Arte/Folha Online

Acordo com terroristas

Os ataques foram reivindicados por um grupo islâmico até então pouco conhecido chamado Mujahedin do Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia).

Em uma mudança de estratégia, a Índia se recusa a negociar com os terroristas que mantêm cerca de 40 reféns em Mumbai há mais de 24 horas, mas mantém o diálogo com os criminosos, segundo o jornal "Times of India".

Aparentemente, a Índia alinhou sua estratégia à de outros países como Estados Unidos, Israel, Rússia e alguns da Europa, que se recusam a negociar com terroristas que mantêm reféns. Uma equipe do FBI de Los Angeles e um grupo de resgate de reféns de Israel viajaram a Mumbai nesta quinta-feira para ajudar as forças de segurança indianas.

Fontes citadas pelo "Times of India" afirmaram que não haverá negociação com os terroristas, mas que é importante manter um diálogo com os criminosos. A manutenção do diálogo tem dois objetivos --ganhar tempo para uma eventual ação armada ou conseguir aos poucos a libertação dos reféns, começando com mulheres e crianças.

Governo

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse nesta quinta-feira em discurso à nação que os ataques terroristas têm participação de grupos estrangeiros. Ele disse acreditar que os terroristas pretendiam "criar o sentimento de terror" pois elegeram 'alvos de alto escalão'. O governo indiano freqüentemente culpa o vizinho Paquistão por atentados terroristas já que os dois países têm relações diplomáticas tensas pela disputa da Caxemira.

O porta-voz do serviço secreto paquistanês (ISI), Zafar Iqbal, afirmou à agência Efe que o "Paquistão não está envolvido nos atentados de Mumbai" e criticou as autoridades indianas por "constantemente acusarem o Paquistão de estar por trás" de ataques do tipo.

O vice-governador de Maharashtra, na Índia, R. R. Patil, afirmou nesta quinta-feira que dará 500 mil rúpias indianas (R$ 23.467,50) aos familiares das vítimas e 50 mil rúpias indianas (R$ 2346,75) às pessoas que ficaram feridas nos ataques, informou o jornal "The Times of India". Segundo o jornal, a policiais haverá "outras formas de compensação".

Com agências internacionais

 

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