Mundo
28/11/2008 - 05h05

Polícia liberta ao menos 93 reféns em hotel de luxo na Índia

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da Folha Online

Atualizado às 07h16.

Uma ofensiva da polícia da Índia libertou hóspedes em um hotel de luxo em Mumbai, centro financeiro do país, encarcerados por quase 36 horas após uma série de ataques de terroristas que matou ao menos 125 pessoas, na quarta-feira (26). Segundo a polícia, 93 pessoas foram retiradas em uma ação policial que passou de quarto em quarto do hotel Trident Oberoi.

"Eles estavam soltando todos", afirmou uma das vítimas quando deixava o hotel ao lado do marido. "Todos receberam proteção." Horas antes, uma operação que contou com um helicóptero e atiradores de elite foi feita para cercar um templo judaico na região sul de Mumbai, onde até 30 pessoas foram mantidas reféns.

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Na quarta-feira (26), terroristas realizaram ataques a tiros e granadas em diversos pontos de grande movimento e freqüentados por ocidentais no centro financeiro do país e fizeram centenas de reféns em três locais. Uma estação de trem, um restaurante, dois hotéis de luxo e uma comunidade judaica foram atacados.

Para a polícia, o fim do terror em Mumbai está próximo. O tenente N. Thamburaj afirmou que a polícia acredita que somente um terrorista ainda esteja dentro do Trident Oberoi, com dois reféns. No hotel Taj Mahal, uma ofensiva da polícia libertou dezenas de pessoas ontem. Acredita-se que dois insurgentes podem estar no local.

Thamburaj afirmou à imprensa que "é só uma questão de tempo para que nós encerremos o caso". Ele informou que sua equipe encontrou vários corpos em um dos quartos do hotel Taj Mahal.

No fim da madrugada desta sexta-feira (hora local), soldados e policiais trocaram tiros com os insurgentes aquartelados no centro judaico Chabad Lubavitch. Diversas explosões foram ouvidas, relatou o jornal "Times of India".

Um diplomata de Israel confirmou que várias pessoas, incluindo alguns israelenses, estavam no interior do centro hebreu. O rabino de cidadania americana Gabriel Holtzberg é mantido refém.

Além de indianos e cidadãos israelenses entre as vítimas e reféns, há um britânico, sul-africanos, americanos e dois japoneses. Alguns turistas também carregavam bagagens com adesivos da bandeira do Canadá e outros vestiam roupas tradicionais árabes.

Acordo com terroristas

Os ataques foram reivindicados por um grupo islâmico até então pouco conhecido chamado Mujahedin do Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia).

Arte/Folha Online

Em uma mudança de estratégia, a Índia se recusa a negociar com os terroristas que mantêm cerca de 40 reféns em Mumbai há mais de 24 horas, mas mantém o diálogo com os criminosos, segundo o jornal "Times of India".

Aparentemente, a Índia alinhou sua estratégia à de outros países como Estados Unidos, Israel, Rússia e alguns da Europa, que se recusam a negociar com terroristas que mantêm reféns. Uma equipe do FBI de Los Angeles e um grupo de resgate de reféns de Israel viajaram a Mumbai nesta quinta-feira para ajudar as forças de segurança indianas.

Fontes citadas pelo "Times of India" afirmaram que não haverá negociação com os terroristas, mas que é importante manter um diálogo com os criminosos. A manutenção do diálogo tem dois objetivos --ganhar tempo para uma eventual ação armada ou conseguir aos poucos a libertação dos reféns, começando com mulheres e crianças.

Governo

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse nesta quinta-feira em discurso à nação que os ataques terroristas têm participação de grupos estrangeiros. Ele disse acreditar que os terroristas pretendiam "criar o sentimento de terror" pois elegeram 'alvos de alto escalão'. O governo indiano freqüentemente culpa o vizinho Paquistão por atentados terroristas já que os dois países têm relações diplomáticas tensas pela disputa da Caxemira.

O porta-voz do serviço secreto paquistanês (ISI), Zafar Iqbal, afirmou à agência Efe que o "Paquistão não está envolvido nos atentados de Mumbai" e criticou as autoridades indianas por "constantemente acusarem o Paquistão de estar por trás" de ataques do tipo.

O vice-governador de Maharashtra, na Índia, R. R. Patil, afirmou nesta quinta-feira que dará 500 mil rúpias indianas (R$ 23.467,50) aos familiares das vítimas e 50 mil rúpias indianas (R$ 2346,75) às pessoas que ficaram feridas nos ataques, informou o jornal "The Times of India". Segundo o jornal, a policiais haverá "outras formas de compensação".

Com agências internacionais

 

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