"Eu não entendo como isso pôde acontecer", diz brasileira em Mumbai
MÁRCIA SOMAN MORAES
da Folha Online
Quando soube dos ataques terroristas em diversos pontos de Mumbai nesta quarta-feira (26), a brasileira Cora Migowski ficou surpresa e disse não ter entendido como homens fortemente armados atacaram pontos famosos da cidade que é o centro financeiro da Índia, incluindo dois hotéis de luxo, uma estação de trem e um aeroporto.
"Eu não entendo como isso pôde acontecer. De que jeito? De que jeito? A segurança é muito rígida e em hotéis de luxo, como o Taj Mahal, tem até máquinas de raio-X. Não consegui entender como os terroristas super armados entraram", contou Migowski, 23, em relato por telefone à Folha Online, da cidade onde mora há três meses. Envie seu relato
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| Brasileira Cora Migowski ficou surpresa com ataques terroristas em pontos seguros |
Os ataques simultâneos foram assumidos por um grupo desconhecido, Mujahedin do Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), e deixaram ao menos 125 mortos. Os terroristas fizeram dezenas de reféns nos hotéis de luxo, Taj Mahal e Oberoi Trident, e em um centro judaico.
Moradora de Mumbai fala sobre ataques terroristas
Migowski nasceu em Bento Gonçalves (RS) e foi para Mumbai em intercâmbio. Ela mora com estudantes estrangeiros em um apartamento na parte norte da cidade, a cerca de 30 km dos locais dos atentados. Ela conta que estava voltando para casa de uma cidade próxima, Alibaug, na hora dos atentados, às 22h30 desta quarta-feira (15h no horário de Brasília).
Veja imagens dos cercos em Mumbai
Confira mapa dos ataques terroristas
"Como estávamos em uma cidade pequena, em um hotel, ninguém estava ligado nas notícias. Quando estávamos partindo, alguém disse que estava tendo fogo e confusão em Mumbai", conta Migowski, "mas como é uma cidade grande, é comum ter alguma confusão em Mumbai".
A brasileira, que trabalha como engenheira química na cidade indiana, conta ainda que passou as duas horas da viagem em contato com os amigos pelo celular. Assim, ela soube que os ataques estavam concentrados no sul da cidade, do outro lado da região em que mora.
"Cheguei em casa às 2h e a primeira sensação foi de alívio, porque todos estavam lá e estavam bem. Depois, ficamos ligados na internet para acompanhar as notícias. No dia seguinte, saímos para ir no supermercado e comprar um jornal, mas todos já tinham acabado", conta a brasileira.
Ela conta ainda que se surpreendeu com a velocidade com que a notícia percorreu o mundo. Menos de 12 horas depois dos atentados, ela recebeu uma ligação do irmão, que mora nos Estados Unidos, preocupado com ela. "Todos meus amigos do Brasil começaram a mandar e-mails perguntando como eu estava".
Nesta sexta-feira, segundo Migowski, o clima na sua vizinhança é de tranqüilidade. Embora haja menos pessoas nas ruas, alguns amigos já foram trabalhar e todos parecem retomar a rotina. "Esse negócio de ataque terrorista não é tão novo na Índia. Mumbai é uma cidade super agitada e super viva e aos poucos a história dos ataques vai ficar para trás", diz Migowski, acrescentando, contudo, que não sabe como vai ser quando vir o luxuoso hotel Taj Mahal depois das explosões.
Sem vítimas
O Consulado do Brasil em Mumbai informou que há cerca de 20 brasileiros vivendo na cidade, além aproximadamente outros 20 que vão com freqüência à cidade.
De acordo com os diplomatas, 22 pessoas ligaram para o consulado nesta quinta-feira (27), depois que o cônsul Paulo Antônio Pereira Pinto fez um pronunciamento em português na rede de notícias local CNN-IBN para informar o telefone do consulado para saber como estavam os brasileiros. Os funcionários consulares ligaram para outras 20 pessoas cadastradas. Não há registro de vítimas brasileiras nos ataques.
| Efe | ||
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| Agente da força de segurança se posiciona durante tiroteio em frente ao hotel Taj Mahal, em Mumbai, Índia |
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