Mundo
28/11/2008 - 16h59

Tropas invadem centro judaico e hotel em Mumbai onde havia reféns

Publicidade

da Folha Online

Tropas indianas invadiram nesta sexta-feira um centro judaico e um hotel de luxo de Mumbai que haviam sido dominados por terroristas, no terceiro dia de confrontos na capital financeira da Índia que deixaram cerca de 143 mortos e 300 feridos.

Tropas de elite desceram de helicópteros através de cordas para chegar ao centro judaico Chabad Lubavitch, matando dois terroristas, mas sem conseguir salvar os reféns, incluindo um rabino de Nova York e sua mulher.

Leia cobertura completa dos ataques
Confira mapa dos ataques terroristas
Ouça relato de brasileira em Mumbai

Desmond Boylan/Reuters
Membros de esquadrão antiterror removem jornalistas da área ao redor do hotel Taj Mahal, onde ainda há um terrorista nesta sexta
Membros de esquadrão antiterror removem jornalistas da área ao redor do hotel Taj Mahal, onde ainda há um terrorista nesta sexta

As forças de segurança também invadiram o hotel Oberoi Trident e libertaram 143 reféns, incluindo turistas estrangeiros e executivos, que saíram contando histórias de terror sobre o derramamento de sangue que ocorreu desde quarta-feira. Dois terroristas foram assassinados.

Porém, ao menos um terrorista ainda estava no hotel Taj Mahal. Explosões e tiros eram ouvidas com regularidade, conforme ele se defendia dos militares pelos corredores e quartos do hotel.

As ações terroristas coordenadas realizadas na quarta-feira concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Mahal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.

Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito freqüentado por turistas e gente de "Bollywood", a indústria cinematográfica indiana. É neste bar, inclusive, que caças-talento procuram novos rostos para participar de filmes.

Paquistão

Um pequeno exército de jovens armados com rifles e granadas, alguns dos quais chegaram por mar, se espalharam por Mumbai na noite de quarta para atacar locais populares entre turistas e executivos.

Uma bolsa deixada para trás pelos terroristas no hotel Taj Mahal tinha sete cartões de crédito --inclusive dos bancos ICIC, HSBC e Citigroup-- além de 6.840 rupias indianas (R$ 309) e US$ 1.200 (R$ 2.717).

Os terroristas ainda não deixaram claras suas razões e objetivos com o ataque. Ainda assim, foi o suficiente para aumentar a tensão entre a Índia e o vizinho Paquistão.

Arte/Folha Online

O governo da Índia culpou "elementos" do Paquistão pelo ataque. O Paquistão afirmou que os dois países têm um inimigo em comum e que enviaria o chefe de seu serviço secreto para auxiliar nos trabalhos de inteligência.

Uma autoridade estadual disse que um dos terroristas presos tinha nacionalidade paquistanesa, e o premiê da Índia, Manmohan Singh, alertou ontem sobre "o custo" que os vizinhos da Índia terão de arcar se não agirem para impedir a ação terrorista em seus territórios.

O chanceler do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, disse à Índia para não brincar de política. "Esse é um assunto coletivo. Enfrentamos um inimigo comum e deveríamos nos dar as mãos para derrotar esse inimigo", disse a jornalistas durante visita à cidade indiana de Ajmer.

Centro judaico

A tomada do centro judaico terminou antes do anoitecer desta sexta, quando oficiais desceram de helicópteros através de cordas sobre o teto e abriram um buraco em uma parede.

"A operação foi um sucesso", disse o comandante Jyoti Krishna Dutt. "No segundo andar, encontramos três corpos de reféns. Eles foram mortos muito antes (da invasão). Encontramos dois terroristas no quarto andar e os neutralizamos. Também encontramos dois corpos de reféns ali", completou.

Um soldado morreu.

Entre os reféns mortos estava o rabino Gavriel e Rivka Holtzberg, diretores da Chabad Lubavitch de Mumbai, instituição com base em Nova York.

No Hotel Oberoi Trident, as forças de segurança mataram dois militantes e libertaram 143 hóspedes mais cedo nesta sexta-feira.

Com agências internacionais

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca