Interferência dos EUA contribui para terror na Índia; ouça diplomata
IAGO BOLÍVAR
colaboração para a Folha Online
A subida ao poder no Paquistão de Asif Ali Zardari, em setembro passado, e a ofensiva que se seguiu contra as áreas tribais em que se refugiam aliados do Taleban e da Al Qaeda criaram um ambiente de radicalização que pode ter contribuído para os ataques em Mumbai, na Índia, que mataram ao menos 148 pessoas.
É o que diz o diplomata Amaury Porto de Oliveira, coordenador para a Ásia do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) do Instituto de Estudos Avançados da USP, ao analisar os fatores externos que influenciaram o terrorismo na Índia.
| Arte/Folha Online |
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| Mapa do Paquistão |
Embaixador fala sobre atentados terroristas
Para Oliveira, a ação militar e de inteligência dos EUA está na origem da desestabilização da área. Ele lembra que a eleição de Zardari, o viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada em 2007, aconteceu após a queda do ditador Pervez Musharraf --o mais recente de uma linhagem de aliados complicados dos EUA na região.
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Ouça relato de brasileira em Mumbai
Nos anos 80, a CIA (agência de inteligência norte-americana) ajudou a insurgência islâmica que expulsou as tropas da União Soviética do território afegão. Apoiado pelos EUA na luta contra os soviéticos, Bin Laden acabou criando a Al Qaeda, enquanto o serviço secreto paquistanês ajudou a dar origem ao Taleban.
"Nunca mais os EUA conseguiram aplicar em relação àquela área uma política coerente, justa", avalia o embaixador.
O grupo de Bin Laden, protegido pelos talebans que dominaram o Afeganistão, lançou-se em uma série de ataques a alvos ocidentais até o auge da agressão, em 11 de setembro de 2001. A invasão do Afeganistão em 2001 ajudou a desestabilizar a região ao norte da Índia, criando as condições para o crescimento do extremismo islâmico.
Para o diplomata, a reação dos extremistas islâmicos do Paquistão está além da questão da Caxemira, área de disputa entre Índia e Paquistão desde 1947, e da disputa interna no país entre a maioria hindu e a minoria muçulmana.
"Não é mais aquela simples luta entre Índia e Paquistão em torno da questão da Caxemira', diz ele. 'Está certamente ligada a toda a questão do Afeganistão, à política do governo [do presidente americano George W.] Bush de, afinal, enfrentar a questão dos terroristas, dos talebans asilados naquelas zonas tribais no Paquistão."
"Eles passaram a atacar de dois meses para cá diretamente, a enviar helicópteros etc. Isso provocou uma resposta irada desses grupos", afirma Oliveira.
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